Um português a entrar, Pedrosa a sair: eis a nova temporada de MotoGP

Miguel Oliveira assumirá o estatuto de “homem da KTM”, sendo o primeiro a rodar em todas as categorias com uma KTM. O campeonato começa neste domingo, no Qatar.

Pilotos perfilados antes da primeira prova do ano, no Catar.
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Pilotos perfilados antes da primeira prova do ano, no Catar. LUSA/NOUSHAD THEKKAYIL

E, 13 anos depois, a temporada de MotoGP vai começar sem Dani Pedrosa. O “baixinho” piloto espanhol interrompeu a carreira, aos 33 anos – colaborará no teste de motos KTM –, e vai ser substituído por Jorge Lorenzo, que deixou a Ducati e se juntou a Marc Márquez numa “dream team” da Honda.

Esta é a grande novidade na “cabeça” do pelotão de MotoGP, que terá, em 2019, a estreia do português Miguel Oliveira. O piloto de Almada subiu do Moto2, categoria secundária, e “porá as mãos” numa KTM RC16, da equipa Tech 3. Oliveira torna-se, assim, o primeiro piloto a conduzir uma KTM em todas as categorias: Rookies Cup, Moto3, Moto2 e MotoGP.

Para esta primeira prova, no Qatar – corrida disputada em horário nocturno –, Miguel Oliveira aponta a objectivos modestos. Nada de pontos e muito menos pódio ou vitória. “Sinto que é importante para mim terminar a corrida, ganhar experiência e perceber onde posso melhorar a minha condução”, disse, citado pela sua assessoria de imprensa.

Esta temporada terá início, meio e fim nos locais e datas exactos da temporada passada. Desta forma, sem alterações no calendário, o Mundial começará no Qatar, neste fim-de-semana, e termina em Espanha, a 17 de Novembro.

A “dream team”, como Real ou Barcelona

A defender o título estará Marc Márquez. O espanhol procura somar o quarto campeonato consecutivo e, para isso, passou um Inverno duro. O piloto teve de recuperar de uma lesão no ombro e assume ainda não estar a 100% neste início de temporada. “Este Inverno foi diferente, devido à operação. Trabalhei arduamente com cinco horas de fisioterapia por dia, com apenas um objectivo: chegar à primeira corrida do ano na melhor condição. No teste do Qatar senti-me muito melhor do que no da Malásia e, agora, posso dizer que chego quase a 100%”.

Ao lado de Márquez haverá um Jorge Lorenzo a justificar a alcunha de “dream team” para esta dupla de espanhóis. “Competir na equipa oficial da Honda é o sonho de qualquer piloto. É como jogar no Real Madrid ou no Barcelona. A definição de “dream team” é adequada, pois é a única com dois campeões do mundo no activo”, disse Lorenzo, num evento em Madrid.

A pré-temporada bastante irregular, em termos de tempos, não augura uma luta pelo título para “Il Dottore” Valentino Rossi. Ainda assim, os laivos de imortalidade já mostrados pelo carismático italiano não permitem que alguém o exclua das “contas”.

O grande adversário da “dream team” da Honda deverá ser Andrea Dovizioso. Depois de ter dado luta a Marquéz, em 2018, o já experiente piloto italiano regressa montado numa Ducati. Em vez de dividir a boxe com Lorenzo, fá-lo-á com o compatriota Danilo Petrucci, “pescado” na Pramac.

Para além de Dovizioso, haverá olhos postos no catalão Maverick Viñales. O companheiro de Rossi continua equipado com uma Yamaha e, nos testes oficiais de pré-temporada, ficou sempre entre os cinco mais rápidos das sessões. Há, ainda, a curiosidade para ver o que podem fazer Álex Rins e a sua Suzuki, depois de um grande final de temporada, em 2018. O espanhol conseguiu chegar ao quinto lugar da classificação e ficou a ideia de que “acordou” demasiado tarde, depois de cinco abandonos nas nove primeiras corridas.

A temporada de MotoGP terá quatro estreantes. Para além de Miguel Oliveira, “Pecco” Bagnaia, Joan Mir e Fabio Quartararo são os rookies do ano e terão holofotes sobre si.

Os números

Valentino Rossi vai para a 24.ª temporada no Mundial e 20.ª na categoria principal. O piloto mais velho em competição, que manterá o histórico número 46 na moto, surgirá com os seus 40 anos, mais do dobro dos 19 do rookie Quartararo. Ainda em matéria de idades, a média do pelotão ronda os 27 anos, valor reduzido pelas saídas dos experientes Pedrosa, Bautista e Luthi.

Na identificação das motos, apenas dois pilotos escolheram números baixos. São os casos de Johann Zarco, com o 5, e Danilo Petrucci, com o 9, enquanto Miguel Oliveira vai trocar o habitual 44 – já “arrebatado” por Pol Espagaró – pelo 88. Já Rossi mantém o histórico 46.

Em matéria de vitórias, oito dos 22 pilotos já estiveram no lugar mais alto do pódio, em MotoGP, enquanto Rossi, Márquez e Lorenzo são os três campeões mundiais no activo.

O campeonato será, em 2019, dominado pelos espanhóis (oito) e franceses (seis). Entre eles, os vizinhos europeus fornecem 14 dos 22 pilotos do Mundial.

Moto2 com novos motores e novo formato de qualificação

A categoria de preparação para o MotoGP terá, nesta temporada, uma aproximação ao que é feito na “categoria rainha”. Desde logo, nos motores. Em 2019 estreiam-se os motores Triumph 750cc, substituindo os Honda 600cc em utilização desde 2010. Os novos motores trazem mais potência e mais controlos electrónicos, permitindo aos pilotos terem uma experiência mais próxima do que poderão ter, no futuro, em MotoGP.

Esta temporada traz, ainda, uma alteração nos formatos de qualificação das categorias mais baixas. Em Moto2 e Moto3, a qualificação terá, tal como no MotoGP, duas sessões. Os 14 pilotos mais rápidos nas sessões de treinos livres garantem apuramento para a Q2, enquanto os restantes terão uma Q1 para apurar mais quatro pilotos. No final, serão 18 pilotos a disputar a Q2 e lutar pela pole position.