À esquerda do PS não há razões para louvar Teodora Cardoso

PS, direita e PAN aprovam voto de louvor à economista que criou e liderou durante sete anos o Conselho de Finanças Públicas, uma espécie de "fiscal" da execução da política orçamental portuguesa.

Teodora Cardoso, à direita, foi substituída nesta semana por Nazaré Costa Cabral, à esquerda.
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Teodora Cardoso, à direita, foi substituída nesta semana por Nazaré Costa Cabral, à esquerda. LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

O Bloco de Esquerda, o PCP, o PEV e o deputado socialista Ascenso Simões votaram contra o voto de louvor à economista Teodora Cardoso proposto pelo PSD, que acabou aprovado pelo PSD, PS, CDS, PAN e o deputado não-inscrito Paulo Trigo Pereira. Teodora Cardoso presidiu ao Conselho de Finanças Públicas desde que este foi criado, em 2012, e foi substituída nesta semana por Nazaré Costa Cabral, licenciada em Economia e doutorada em Direito.

No final da votação, o presidente do PS, Carlos César, levantou-se para anunciar, em tom titubeante, que a bancada socialista “apresentará... enfim... uma declaração de voto”, provocando o riso no plenário - incluindo de Eduardo Ferro Rodrigues. O PS e alguns membros do Governo chegaram a tecer críticas às análises menos entusiasmadas do Conselho de Finanças Públicas às previsões económico-financeiras do executivo.

No voto, a Assembleia da República deixa o seu “profundo reconhecimento por uma intensa carreira dedicada à causa pública" e agradece o contributo de Teodora Cardoso “para a transparência e melhoria do acompanhamento do processo orçamental”.

O Governo de Pedro Passos Coelho incumbiu Teodora Cardoso de criar de raiz uma entidade técnica constituída por especialistas nacionais e estrangeiros, com a missão de proceder a uma avaliação independente sobre a consistência, cumprimento e sustentabilidade da política orçamental, descreve o texto. Deveria ser uma entidade que promovesse a transparência do processo orçamental, contribuindo desse modo para a “qualidade da democracia e das decisões de política económica e para o reforço da credibilidade financeira do Estado”.

O Parlamento reconhece que a economista “foi capaz de construir uma instituição isenta, sólida, respeitada e de grande utilidade para o acompanhamento e escrutínio da política orçamental”. Salienta a sua "competência técnica inquestionável, de reconhecido rigor e seriedade e que sempre foi capaz de demonstrar grande independência face ao poder político”.

Teodora Cardoso entrou para o Banco de Portugal em 1973, e exerceu funções nas áreas de macroeconomia, política monetária e relações com organizações internacionais; foi consultora da administração e, mais tarde, administradora entre 2008 e 2012. Integrou o Conselho Consultivo do Instituto de Gestão do Crédito Público e, em 2001, a Estrutura de Coordenação da Reforma da Despesa Pública.