May avisa que se acordo do “Brexit” falhar o Reino Unido pode “nunca sair da UE"

A primeira-ministra britânica voltou a dramatizar o discursou e, a quatro dias de uma votação no Parlamento, declarou que "a única certeza [sobre o 'Brexit'] é a actual incerteza.

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Reuters/Francois Lenoir

Theresa May disse esta sexta-feira que, se o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (EU) que negociou e vai novamente a votos no dia 12 (terça-feira) for chumbado uma vez mais, o Reino Unido pode “nunca sair da União Europeia”. 

“Na próxima semana, os deputados em Westminster enfrentam uma escolha crucial: apoiar o acordo do ‘Brexit’ ou rejeitá-lo”, afirmou a primeira-ministra britânica num discurso perante trabalhadores da cidade de Grimsby, no Norte de Inglaterra, onde o sim ao “Brexit" venceu com cerca de 70% no referendo de 2016. 

“Podemos não sair da Europa durante muitos meses, podemos sair sem as protecções que o acordo nos garante, podemos até nunca sair... a única certeza é a actual incerteza”, disse a primeira-ministra comentando todas as possibilidades sobre o futuro do “Brexit”.

May voltou a dramatizar o discurso para pressionar os membros do Parlamento a apoiarem o acordo acordo que negociou com Bruxelas, quase dois meses depois de um primeiro chumbo pelos deputados na Câmara dos Comuns.

A primeira-ministra conservadora, que continuará em contactos telefónicos com os líderes da UE durante o fim-de-semana, confirmou Downing Street ao Financial Times, aproveitou para pedir aos líderes da UE “apenas mais um empurrão” para resolver o backstop, o controverso mecanismo de salvaguarda, exigido por Bruxelas, para evitar uma fronteira física na ilha irlandesa.

May tinha prometido que, em caso de novo chumbo, o Parlamento teria a oportunidade de, nos dois dias seguintes, aprovar ou rejeitar uma saída sem acordo e, no segundo cenário, decidir sobre a extensão da aplicação do artigo 50.º do Tratado da UE e adiar a data do “Brexit” (29 de Março). Mas na agenda parlamentar anunciada para a próxima semana consta apenas, para já, a votação de terça-feira ao acordo actual.