Bolsas em maré vermelha a caminho da pior semana do ano

Receios em torno do abrandamento da economia mundial estão a afastar os investidores do risco.

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Reuters/Dylan Martinez

As bolsas mundiais estão em maré vermelha e a caminho de registar a pior semana do ano. Os sinais de abrandamento mundial, agravados pela forte revisão em baixa do Banco Central Europeu (BCE) para a economia europeia, estão a afastar os investidores do risco.

A expressiva queda das acções chinesas deu o mote para os mercados globais. A bolsa de Xangai, principal praça financeira da China, perdeu 4,40% — a maior desvalorização em cinco meses — e a bolsa de Tóquio caiu 2,01%. Já ontem as bolsas norte-americanas fecharam abaixo da linha de água, com quedas de cerca de 1%. O Stoxx Europe 600 Index caiu o máximo de um mês e a bolsa de Lisboa abriu esta sexta-feira em queda, com PSI-20 a recuar 0,84%, com todas as cotadas no vermelho, à excepção da Ibersol e da Nos (que apresentou resultados antes da abertura dos mercados e viu os seus lucros subir mais de 15%), em linha com as suas congéneres europeias que recuam 0,60%.

Na quinta-feira, o BCE cortou as previsões de crescimento da Zona Euro para 2019 e garantiu que não vai subir os juros até ao final de 2019. Foi também anunciado por Mario Draghi um novo programa de financiamento para a banca europeia, com início em Setembro.

“A forte revisão em baixa das previsões de crescimento feitas pelo BCE, claro que teve um efeito sobre a psicologia dos investidores”, refere Gregori Volokhine, da Meeschaert Financial Services, em declarações à Bloomberg, acrescentando que se “observa um contágio do mercado norte-americano pelos mercados europeus”.

“Ao contrário, estamos a começar a ver emergir o receio de uma ‘japonização’ da Europa, com uma zona geográfica sem crescimento durante muito tempo, apesar de taxas de juro a zero ou mesmo negativas”, acrescentou.

Os analistas ouvidos pela Bloomberg referem que a queda acentuada na China é também um reflexo da recolha de mais-valias, já que aquele mercado acumulava ganhos de 20% só este ano, além de que o regulador chinês anunciou novas medidas para travar a possível formação de uma bolha no mercado accionista.