Paula saiu em liberdade condicional e vai dormir numa casa emprestada

Câmara do Porto despejou inquilina a cerca de dois meses desta sair em liberdade condicional. Vereador propôs-lhe há dias a integração no programa de reinserção para ex-reclusos. Mas o plano camarário ainda não está de pé

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Paula Gonçalves tem três filhos, dois deles menores, e ficou sem casa enquanto estava presa Paulo Pimenta

Menos de uma semana depois de ter regressado à Prisão de Santa Cruz do Bispo, após uma saída precária de seis dias e 12 horas, Paula Gonçalves saiu em liberdade condicional. Mas a proposta de a integrar no Apoiar para (Re)inserir, programa camarário de reinserção social para ex-reclusos, feita pelo vereador Fernando Paulo numa reunião à porta fechada, não será para já. “Estou livre”, contou ao PÚBLICO a portuense de 35 anos, que recebeu a notícia esta quinta-feira ao início da tarde. Paula Gonçalves recebeu uma ordem de despejo a 22 de Dezembro de 2018, por despacho de 3 de Junho, dois documentos assinados por Fernando Paulo.

O executivo de Rui Moreira alegou repetidamente não saber qual a previsão de saída em liberdade condicional da inquilina. Mas como o PÚBLICO noticiou, com base em vários documentos do estabelecimento prisional a que também a autarquia teve acesso, não sendo certo o dia era previsível que fosse para breve.

Sem solução do Apoiar para (Re)inserir - que espera ainda aprovação do Ministério da Justiça -, Paula, mãe de três filhos, dois deles menores, ficará, para já, numa pequena casa emprestada. "Quero reconstruir a minha vida. Sobre a solução da câmara não sei nada ainda", contou. O regresso ao Lagarteiro foi afastado pela autarquia, apesar dos pedidos da inquilina e da manifestação de solidariedade de moradores do bairro, deputados, vereadores e diversos artistas que a conhecem de trabalhos artísticos feitos na prisão.

A Rui Moreira chegou ainda uma carta aberta, depois transformada em petição pública. “A Paula, é certo, cometeu um crime. Mas já pagou por ele. Cumpriu a pena a que a Justiça a condenou. Por que haveria de ter uma outra pena para além dessa – a perda da sua casa, que assim ficou e permanece vazia – , em vez de poder, justamente agora que está de regresso, voltar a sua casa e reconstruir a sua vida?”, lê-se. Ao presidente da autarquia chegou um pedido de revisão assinado por personalidades como José Mário Branco, Alexandre Quintanilha, Helena Roseta, Alexandre Alves Costa, Fernanda Lapa, Luisa Pinto ou José Soeiro.

O PÚBLICO questionou a Câmara do Porto sobre o assunto mas não obteve resposta.