Crónica de jogo

Agarrados à Champions

O FC Porto qualificou-se para os quartos-de-final da Liga dos Campeões ao derrotar a AS Roma no prolongamento.

A festa foi do FC Porto
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A festa foi do FC Porto Reuters/PEDRO NUNES
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O desespero dos jogadores da AS Roma Reuters/PEDRO NUNES
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O penálti que deu o apuramento ao FC Porto LUSA/JOSÉ COELHO
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Casillas abraça um colega de equipa Reuters/PEDRO NUNES
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Alex Telles festeja o seu golo frente à AS Roma Reuters/MIGUEL VIDAL

Tão sofrido como merecido. O FC Porto garantiu nesta quarta-feira o seu lugar no lote das oito melhores equipas da Europa, algo que já não conseguia desde 2014-15, ao derrotar a AS Roma por 3-1, após prolongamento. Uma qualificação que um penálti quase hipotecou, mas que outro penálti recuperou, poucos minutos antes de tudo ter que ser decidido… no desempate por grandes penalidades.

Não era uma missão impossível, longe disso. A derrota sofrida em Roma por 2-1 esfumava-se se o FC Porto marcasse um golo e não sofresse nenhum. E os romanos até eram um opositor que nunca se tinha intrometido entre os portistas e a eliminatória seguinte nas duas vezes em que ambas as equipas se encontraram.

É verdade que a última vez que o FC Porto tinha conseguido algo semelhante, ou seja, passar uma eliminatória europeia depois de perder a primeira mão fora de portas, tinha sido em 1986 e que, depois disso, houve oito tentativas falhadas. E, ontem, o risco de isso acontecer pairou num Dragão praticamente repleto e que, apesar das contrariedades – várias oportunidades de golo desperdiçadas pelos homens da casa e um golo da AS Roma quando ninguém o previa – nunca deixou de apoiar a sua equipa. Mas a determinação “azul-e-branca”, a única equipa que, verdadeiramente, mostrou uma atitude ganhadora, acabaria por ser recompensada, apesar do sofrimento.

Mal o jogo começou percebeu-se ao que cada uma das equipas vinha. O FC Porto, com uma frente de ataque composta por Marega e Soares, estava determinado a resolver cedo a eliminatória, enquanto a AS Roma, com uma linha defensiva composta por três defesas centrais, estava interessada em defender a vantagem trazida da capital italiana (2-1).

E os minutos que se seguiram ao apito inicial confirmaram a análise. O FC Porto colocou intensidade no seu futebol na tentativa de ultrapassar a barreira defensiva romana e conseguiu-o por várias ocasiões, quase sempre através das incursões de Corona. O mexicano soube aproveitar o espaço concedido no flanco esquerdo da defesa da AS Roma e durante os primeiros vinte minutos ameaçou seriamente a baliza de Olsen por três vezes.

A AS Roma aguentou-se como pôde durante este período, mas não estava à espera de uma perda de bola infantil de Manolas, bem pressionado por Marega. O maliano não perdeu tempo e deu início a um contra-ataque fulminante, que viria a ser concretizado por Soares.

A ganhar por 1-0, os “azuis-e-brancos” estavam nos quartos-de-final da Champions e tinham o jogo na mão. Por isso, poucos esperariam o volte-face que a partida sofreu dez minutos depois. Uma falta desnecessária de Militão (regressado ao “onze” após “castigo” de Conceição) sobre Perotti ofereceu um penálti à AS Roma que De Rossi não desperdiçaria, tornando tudo bem mais difícil para os portistas que, com o resultado empatado a um golo, passavam a estar obrigados a marcar dois para assegurarem um lugar na fase seguinte da Champions.

A equipa de Sérgio Conceição sentiu o golo e até ao intervalo, nunca mais voltou a ser capaz de colocar em campo a mesma intensidade que tinha conseguido durante a primeira meia-hora de jogo, apesar de ter chegado ao intervalo com uma clara vantagem no número de remates à baliza adversária (11-4).

O descanso fez bem à equipa portista, que reentrou em campo novamente com o pé no acelerador. Tiquinho e Marega ameaçaram Olsen, até que Marega deu o melhor seguimento a um cruzamento de Corona (quem mais) e deu novamente alento aos “azuis-e-brancos”.

Faltava apenas um golo e a AS Roma era uma equipa remetida ao seu meio-campo. Com o FC Porto a pressionar, parecia uma questão de tempo até que o apuramento se resolvesse a favor dos campeões nacionais. Só que os italianos foram resistindo às ameaças portistas que perderam um pouco de contundência com a troca de Corona por Brahimi. Mesmo assim, foi sempre Olsen a ser incomodado, mas não o suficiente para ir buscar a bola ao fundo da baliza.

O prolongamento tornou-se inevitável e mesmo durante a meia-hora adicional foi sempre o FC Porto a pressionar. Só houve uma excepção, que quase gelou o Dragão, quando Dzeko aproveitou um raro contra-ataque romano. Valeu, nessa ocasião, Pepe, que afastou a bola quando esta se dirigia para dentro da baliza deserta.

Até que, numa altura em que já quase toda a gente pensava que o apuramento se iria discutir no desempate por penáltis, um puxão de Florenzi a Fernando, na sequência de um cruzamento/remate de Maxi, viu o videoárbitro alertar o árbitro de campo da irregularidade. Afinal, a decisão seria mesmo tomada na marca de 11 metros. E Alex Telles não vacilou, mantendo o FC Porto agarrado à Champions.