Johan Mouchet/Unsplash
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Megafone

Quando a saúde e o digital dão o match perfeito

Cada cidade, freguesia e hospital dinamarquês produz e partilha dados, garantindo uma sinergia entre serviços de saúde, doentes, empresas privadas e investigadores, de forma a assegurar os melhores cuidados e qualidade de vida aos cidadãos dinamarqueses.

793: início da era dos Vikings na Dinamarca.

1397 – 1523: reino de Kalmar, constituído pela Dinamarca, Suécia e Noruega.

1875: início da recolha de informação sobre as principais causas de morte na Dinamarca.

1943: início da recolha de dados sobre a incidência dos principais tipos de cancro na Dinamarca.

1945: fundação da ONU, sendo a Dinamarca um dos países fundadores.

1973: entrada da Dinamarca na União Europeia.

Num mundo cada vez mais digital e rodeado de novas tecnologias, a área da saúde não é excepção e, também progressivamente, tem-se adaptado e incorporado o mundo digital na sua matriz. Um dos melhores exemplos e um dos países que mais tem apostado na ligação entre estes dois conceitos tem sido a Dinamarca.

Um dos principais factores que contribui para o sucesso tem sido a aposta na recolha de dados e informação. Olhando para a cronologia acima, em pleno século XIX o país já recolhia dados sobre as principais causas de morte, sendo que até mesmo antes da fundação da ONU ou da entrada na União Europeia já recolhia dados sobre a incidência de cancro. O Registo Nacional de Doentes tem informações que datam de há cerca de 40 anos, apresentado dados de mais de 5,5 milhões de pessoas, fazendo deste um dos registos mais antigos e completos em todo o mundo, se tivermos em conta que a população dinamarquesa é de cerca de 5,8 milhões de habitantes.

O impacto das tecnologias ao nível da saúde também se faz sentir no dia-a-dia da população dinamarquesa, através do portal do doente, onde é possível ter acesso a todos os dados de saúde (receitas, exames e resultados de análises laboratoriais), marcar consultas ou consultar o histórico pessoal e até mesmo familiar. Contudo, não são só os doentes que têm acesso a esta informação. Profissionais de saúde, investigadores ou instituições têm acesso a uma vasta quantidade de dados clínicos, laboratoriais e diversas outras informações relacionadas com a saúde. No entanto, o objectivo é possibilitar ainda mais a partilha e a utilização de dados, permitindo o acesso dos mesmos a empresas farmacêuticas e empresas privadas na área da saúde, para que possam ser criadas novas soluções e formas de melhorar a saúde no país nórdico.

No entanto, um dos principais problemas passa por assegurar a segurança dos dados pessoais dos doentes, muitos deles sensíveis, e garantir que são utilizados da melhor forma possível. E é aqui que o Estado dinamarquês tem tido uma intervenção pró-activa e decisiva, pois é o principal responsável por guardar e garantir a segurança de todos os dados e informação relacionada com a saúde. Apesar de ser uma solução pouco comum, pois na maioria dos casos a segurança deste tipo de dados costuma ser atribuída a empresas privadas, os elevados níveis de confiança dos dinamarqueses no respectivo governo ajudam a explicar esta opção.

Numa altura em que os dados e todos as questões relacionadas com a segurança e a protecção dos mesmos dificultam e condicionam a sua correcta utilização, a Dinamarca dá um passo em frente e assegura um match perfeito entre o mundo digital e o da saúde. Cada cidade, freguesia e hospital dinamarquês produz e partilha dados, garantindo uma sinergia entre serviços de saúde, doentes, empresas privadas e investigadores, de forma a assegurar os melhores cuidados e qualidade de vida aos cidadãos dinamarqueses. Finalmente, o governo assegura ainda uma intervenção activa e decisiva em todo o processo, garantindo a segurança e protecção dos dados e, consequentemente, um sistema de saúde mais eficaz, tecnológico e ao serviço das populações.

De que forma é que as novas tecnologias podem contribuir para uma melhoria dos cuidados de saúde? Como poderão os governos participar de forma activa na melhoria da saúde e qualidade de vida dos cidadãos? São perguntas complexas e de resposta difícil, mas a Dinamarca tem dado passos decisivos e importantes para responder às mesmas.