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Paquistão liberta piloto indiano para pôr fim a dias de alta tensão

O comandante Abhinandan Varthaman foi libertado e agradeceu aos militares paquistaneses pela forma como o trataram.

Celebração nas ruas da libertação do piloto em Ahmedabad, na Índia
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Celebração nas ruas da libertação do piloto em Ahmedabad, na Índia Amit Dave/REUTERS

Durante longas horas, centenas de pessoas concentraram-se num dos postos fronteiriços entre a Índia e o Paquistão e a expectativa aumentava para a libertação do piloto indiano capturado pelas forças paquistanesas esta semana. Ao fim do dia, Abhinandan Varthaman acabou finalmente por ser entregue de volta à Índia, tornando-se num símbolo do desanuviamento entre os dois países depois de uma das semanas mais tensas da história recente.

À espera do comandante Abhinandan estava uma multidão de indianos com bandeiras do país e e faixas com a cara do militar. Depois de muitas horas de expectativa, Abhinandan atravessou a fronteira depois das 21 h (16 h em Portugal continental). Na véspera, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, tinha prometido libertar o piloto como um “gesto de paz”.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que enfrenta eleições legislativas em Maio em que pode não ter maioria para governar, afirmou que os acontecimentos dos últimos dias uniram o país. “A forma como a nação apoiou as nossas Forças Armadas é extraordinária e faço uma vénia a cada indiano por isso”, afirmou Modi.

Abhinandan estava detido desde quarta-feira, depois de o avião que pilotava ter sido abatido pela Força Aérea paquistanesa. Circularam algumas imagens que mostravam o piloto de olhos vendados e aparentemente com sinais de ferimentos, causando forte condenação por parte da Índia. Uma dessas imagens chegou mesmo a ser publicada na conta de Twitter do Ministério da Informação do Paquistão, mas foi rapidamente apagada.

Um novo vídeo mostrou o piloto a explicar o que lhe aconteceu e a agradecer aos militares paquistaneses por terem-no salvo da população no local para onde foi ejectado. “As pessoas perseguiram-me, as suas emoções estavam ao rubro. Então dois militares do Exército paquistanês apareceram e salvaram-me. Capitães paquistaneses salvaram-me das pessoas e não permitiram que me fizessem mal.”

A Índia e o Paquistão estiveram nos últimos dias a poucos passos de entrar num conflito declarado por causa de Caxemira, a região fronteiriça contestada pelos dois países desde a sua independência em 1947 e que motivou duas guerras entre si. Tudo começou com um ataque suicida a 14 de Fevereiro na Caxemira indiana que matou 44 polícias indianos reivindicado pelo Jaish-e-Mohammad (exército de Maomé), um grupo extremista islâmico que opera no Paquistão.

A Índia decidiu responder dias depois com um bombardeamento sem precedentes em território paquistanês contra o que disse ser uma base do grupo terrorista. O Governo indiano acusa há anos as autoridades paquistanesas de tolerarem e protegerem grupos como o Jaish-e-Mohammad com o intuito de que realizem ataques em solo indiano.

O Paquistão bombardeou alguns locais do lado indiano próximos da fronteira e foi num confronto aéreo com aviões indianos que abateu o caça pilotado pelo comandante Abhinandan. Ao mesmo tempo, o mundo assistia em suspenso à precipitação de uma crise que facilmente poderia dar origem a uma guerra entre duas potências nucleares.

A libertação de Abhinandan é vista como um acto que pode permitir que os dois países cessem as hostilidades. Porém, notam vários analistas, as raízes do conflito entre a Índia e o Paquistão permanecem e podem vir a reacender os ânimos nos dois lados da fronteira.

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