Identificados os genes que controlam cores brilhantes da lagartixa-dos-muros

Como é possível encontrar tanta diversidade de cores dentro de uma única população de uma espécie, neste caso a lagartixa-dos-muros? Estudo genético responde.

A lagartixas-dos-muros (<i>Podarcis muralis</i>)
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A lagartixas-dos-muros (Podarcis muralis) Guillem Pérez i de Lanuza

Uma equipa internacional de investigadores – liderada por cientistas do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio-InBio), no Porto – identificou os genes que controlam as cores brilhantes das lagartixas-dos-muros.

Publicado agora na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o estudo revelou que os genomas das lagartixas-dos-muros (Podarcis muralis), com diferentes cores, são “virtualmente idênticos com excepção de dois genes”, denominados SPR e BCO2. É a primeira vez que os dois genes, envolvidos na produção de dois tipos de pigmentos (as pterinas e os carotenóides), são associados à pigmentação destes répteis.

A investigação, que contou com a colaboração de investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, recorreu à sequenciação de genes de lagartixas e a análises bioquímicas.

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A lagartixa-dos-muros Guillem Pérez i de Lanuza/Javier Ábalos

Estas metodologias, sublinha o Cibio-InBio num comunicado, permitiram à equipa verificar que “as sequências de ADN associadas às diferentes cores das lagartixas são extremamente divergentes” e partilhadas entre espécies de lagartos da região mediterrânea. “Isto indica que alterações genéticas associadas à variação da cor surgiram há milhões de anos e que diferentes processos, como a selecção natural e a hibridação, contribuem para a evolução do padrão de cores nestes répteis e para a sua variação nas populações”, explica Pedro Andrade, o primeiro autor do artigo científico e investigador do Cibio-InBio, citado no comunicado.

“O artigo agora publicado demonstra que as tonalidades laranjas e avermelhadas estão associadas ao gene SPR, um gene vital na via metabólica das pterinas, enquanto as tonalidades amarelas são explicadas pelo gene BCO2, envolvido no metabolismo dos carotenóides”, salienta o comunicado.

“Os nossos resultados sugerem que estes genes de pigmentação, em particular o gene SPR, podem levar a diferenças no funcionamento do cérebro, o que explicaria as diferenças de comportamento entre lagartos com diferentes cores”, acrescenta por sua vez Catarina Pinho, também autora do artigo e investigadora no Cibio-InBio.

A equipa espera agora, tendo em conta os resultados obtidos, indicar o “caminho para futuros estudos sobre a origem das cores em diferentes organismos”.