PSD acusa Governo de estar “enredado nas teias familiares”

Fernando Negrão exige que o executivo esclareça dúvidas sobre o Montepio Geral.

Fernando Negrão no hotel Porto Palácio
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Fernando Negrão no hotel Porto Palácio Nelson Garrido

A abertura das jornadas parlamentares do PSD, esta tarde no Porto, serviu para o líder da bancada, Fernando Negrão, disparar contra o Governo em várias frentes: desde a remodelação com critérios de “parentesco” ao fraco crescimento económico, passando pela resignação à perda de fundos comunitários e à exigência de uma intervenção por parte do ministro Vieira da Silva sobre a “nublosa” do Montepio Geral.

Numa sala de um hotel, Fernando Negrão recuperou a remodelação governamental ao censurar António Costa por “fechar mais o círculo das escolhas governamentais a critérios de consanguinidade ou de relações familiares”. O Governo, prosseguiu, está “cada vez mais enredado nas teias familiares de maridos e mulheres e de pais e filhos”, numa alusão à indicação de Mariana Vieira da Silva, que é filha do ministro do Trabalho Vieira da Silva como ministra da Presidência, além de Eduardo Cabrita, que é casado com Ana Paula Vitorino.

Negrão critica o primeiro-ministro por desvalorizar a questão. “Compreende-se porquê: o problema é de ética republicana, algo que este PS também meteu na gaveta”, disse, referindo-se que os socialistas vão “usando descaradamente os organismos do Estado como plataforma de emprego e de colocação para os seus militantes e afilhados”, sem referir exemplos. Foi um dos momentos em que Fernando Negrão recebeu palmas mais entusiasmadas dos deputados.

Elixir do crescimento em falta

Com um Portugal “aquém” do que os portugueses merecem, o líder da bancada social-democrata lamentou o facto de a economia “não crescer como podia e devia estar a crescer” e que o ministro Mário Centeno “não encontrou o elixir do crescimento eterno no final do arco-íris cor-de-rosa.”

Depois de um elogio a Paulo Rangel, que é o orador convidado do jantar desta noite, Fernando Negrão apontou baterias à atitude dos socialistas. “O tal Governo que ia falar grosso à Europa é o mesmo que se prepara para aceitar placidamente o novo quadro comunitário em que Portugal se arrisca a perder 7% dos fundos de coesão”, afirmou, colocando o PSD como um “partido inequívoca e convictamente europeísta” ao “contrário” do PS. “Não temos telhados de vidro na defesa do euro nem do projecto europeu. Nunca fomos parceiros nem apoiados por forças políticas intrinsecamente anti-Europa e aferradamente contra o euro”, disse, numa alusão ao BE, PCP e PEV, que apoiam o Governo.

Perante uma sala de deputados que estava composta, Fernando Negrão deixou várias perguntas sobre o Montepio Geral – falando em “jogo de empurra de responsabilidades – e interrogou-se sobre “onde está o ministro Vieira da Silva” neste caso. “Porquê tanto silêncio?”, questionou, exigindo depois que o Governo esclareça “todas as dúvidas” e que “dê um sinal de confiança aos 600 mil mutualistas”.

O líder da bancada social-democrata não deixou passar as alterações que estão a ser preparadas na lei orgânica do Banco de Portugal e exigiu a manutenção da independência. E deixou um aviso de “total oposição” a uma eventual “governamentalização” do supervisor.

Antes da intervenção de Fernando Negrão, o líder da distrital do Porto, Alberto Machado, deixou palavras simpáticas a Rui Rio - que tem enobrecido a política com a sua liderança - e fez um alerta contra riscos para a democracia. "Tanto cá como lá na capital a demagogia e o populismo, o condicionamento da comunicação social, snobismo pseudo-aristocrático são caminhos perigosos trilhados por alguns que conduzem inevitavelmente a uma ditadura camuflada, que temos obrigação política e moral e ética de denunciar", disse, sem concretizar.