“Vigarista, racista e batoteiro”. Michael Cohen vai dizer ao Congresso que Trump sabia antecipadamente da campanha do Wikileaks

Antigo advogado de Donald Trump vai ser ouvido esta quarta-feira em Washington. Michael Cohen promete entregar documentos que provam acusações contra o Presidente relativas à ingerência russa na campanha eleitoral de 2016 e ao pagamento ilícito feito no caso Stormy Daniels.

Fotogaleria
LUSA/JIM LO SCALZO
Fotogaleria
LUSA/SHAWN THEW
Fotogaleria
LUSA/JIM LO SCALZO
Fotogaleria
LUSA/SHAWN THEW
Fotogaleria
LUSA/JIM LO SCALZO

Vigarista, batoteiro, racista. É assim que o advogado Michael Cohen se prepara para descrever o Presidente norte-americano Donald Trump, esta quarta-feira, numa audição no Congresso, em Washington. No documento que irá ler no início da audição, e que já foi divulgado publicamente, o advogado que durante uma década foi um dos mais leais colaboradores de Trump afirma o milionário soube de antemão que o site de denúncias Wikileaks iria divulgar os e-mails de Hillary Clinton em plena campanha presidencial.

Cohen, que se declarou culpado de mentir ao Congresso em audições anteriores acerca das negociações de um projecto imobiliário em Moscovo, admite agora que as suas afirmações possam ser recebidas com cepticismo. “É por essa razão que incorporei nesta declaração pública documentos irrefutáveis que demonstram que a informação que irão ouvir é rigorosa e verdadeira”, lê-se no documento [clique para ler a declaração na íntegra — link externo do New York Times].

“Nunca num milhão de anos, quando aceitei trabalhar para Donald Trump em 2007, imaginei que ele um dia se candidataria a Presidente e iria lançar uma campanha baseada numa plataforma de ódio e intolerância”, começa por justificar. “Arrependo-me do dia em que disse ‘sim’ a Trump. Arrependo-me de toda a ajuda e apoio que lhe dei ao longo do caminho”, continua Cohen.

“Tenho vergonha porque sei o que é que Trump é. É racista. É vigarista. É batoteiro”, resume. “Ele era um candidato presidencial que sabia que Roger Stone [consultor político conhecido por pesquisar informação sobre oposição do Partido Republicano] estava a falar com Julian Assange sobre a divulgação de e-mails do Comité Nacional Democrático através da WikiLeaks”, lê-se no documento.

“Em Julho de 2016, dias antes da convenção Democrata, estava no escritório de Trump quando a sua secretária anunciou que Roger Stone estava ao telefone. Trump colocou Roger Stone em alta voz. Stone disse a Trump que Julian Assange lhe tinha dito que, num espaço de dias, uma divulgação massiva de emails iria prejudicar a campanha de Hillary Clinton iria prejudicar a campanha de Clinton. Trump respondeu com ‘isso seria óptimo’”. 

Caso se confirme a declaração, esta será a mais forte acusação a ser feita em público relativamente às suspeitas que são alvo da investigação do procurador especial Robert Mueller, que averigua a alegada ingerência russa nas últimas eleições presidenciais norte-americanas.

Cohen, que no passado afirmou que “levaria um tiro por Trump", irá entregar esta tarde uma série de documentos que visam sustentar as suas acusações. Entre eles estão a cópia de um cheque assinado por Trump que terá servido de reembolso a Cohen pelo pagamento em dinheiro que o advogado fez a Stormy Daniels, a actriz pornográfica com quem Trump terá tido um caso extraconjugal, já quando estava casado com Melania Trump, actual primeira-dama. Mas também documentos sobre a sua vida académica, com ameaças a antigos colegas do ensino secundário e superior, para que as notas de Trump não fossem divulgadas.

No documento de 20 páginas, Cohen insiste que desta vez irá dizer a verdade ao Congresso. “No passado vim aqui para defender Trump. Hoje vim contar-vos a verdade sobe ele.”

Em reacção, o Presidente norte-americano declarou através do Twitter que “Michael Cohen foi um dos muitos advogados que me representaram (infelizmente).” “Acabou por ser expulso pelo Supremo Tribunal do Estado por mentir e ser fraudulento. Fez coisas más não relacionadas que não estavam relacionadas comigo. Está a mentir para reduzir seu tempo de prisão”, escreveu Trump. 

A audição de Michael Cohen está marcada esta quarta-feira para as 10h locais (15h em Lisboa).

Sugerir correcção
Ler 3 comentários