Free Solo, documentário que teve mão portuguesa, venceu o Óscar

Documentário que segue um escalador na preparação de uma escalada de 900 metros, no Parque Yosemite, contou com a participação de Joana Niza Braga e Nuno Bento na equipa de som.

O filme estreia a 17 de Março no canal National Geographic
Foto
O filme estreia a 17 de Março no canal National Geographic DR

O documentário Free Solo, de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi, produzido pela National Geographic, conquistou o Óscar de melhor documentário, na 91.ª edição dos prémios da Academia de Hollywood, entregues em Los Angeles.

O filme, que também foi distinguido nos Bafta, conta com dois portugueses, Joana Niza Braga e Nuno Bento, na equipa de som.
Free Solo, que se estreia a 17 de Março no National Geographic, acompanha o escalador norte-americano Alex Honnold na preparação para uma escalada de 900 metros, sem cordas ou protecções, na parede de granito El Capitan, no Parque de Yosemite, nos Estados Unidos.

O português Nuno Bento já foi distinguido nos prémios norte-americanos Golden Reel, pelo trabalho de edição de som neste documentário. Joana Niza Braga, 'foley mixer' no filme, foi distinguida no fim-de-semana passado noutros prémios específicos para montagem de som: os norte-americanos Cinema Audio Society Awards.

Em declarações à agência Lusa, na semana passada, Joana Niza Braga explicou o trabalho dela e de Nuno Bento foi "todo feito remotamente", a partir de Lisboa, na pós-produtora de cinema Loudness Films, onde há "um estúdio de 'foley' bastante grande".

O 'foley' permite criar sons que por vezes não são captados nas rodagens. Com o 'foley', é possível "criar a ilusão de que existe essa proximidade com as personagens que estão no ecrã".

"Por exemplo, temos o Alex a escalar e nós conseguimos ouvir a parede e todo o material dele, quando na verdade é tudo falso. É tudo criado por nós: pelo 'foley artist' e pelo 'foley mixer', que juntos trabalhamos para conseguir tornar esse som verdadeiro para aquilo que estamos a ver", explicou à Lusa.

O processo é feito com o 'foley mixer' na régie e o 'foley artist' num estúdio ao lado, com os dois separados por um vidro.
Os 'foley artists', "quem está a reproduzir o barulho", costumam dizer, segundo Joana, "que os 'foley mixers' são os ouvidos, porque o som captado pelo microfone é diferente, um bocadito, da percepção auditiva normal".

Na 91.ª edição dos Óscares, Vice conquistou também o prémio de melhor caracterização, e Black Panther, os de melhor guarda-roupa e de melhor cenografia.