Abusos sexuais: bispos portugueses vão adoptar novas medidas

D. Manuel Clemente disse que a Conferência Episcopal Portuguesa vai adoptar novas medidas para combater e prevenir abusos sexuais. E voltou a sublinhar importância do celibato sacerdotal.

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D. Manuel Clemente xx direitos reservados

O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, garantiu este domingo que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que lidera, vai adoptar novas medidas para prevenir e combater os abusos sexuais de menores e adultos vulneráveis dentro da Igreja em Portugal. 

"Todos temos de trabalhar a sério porque isto é um problema global e tem de ter uma solução global", declarou D. Manuel Clemente, citado pela agência Ecclesia, em declarações prestadas em Roma, no final da cimeira com o Papa Francisco destinada a debater o tema. 

Segundo o presidente da CEP, o Vaticano vai entregar a todas as conferências episcopais um "vade-mécum", ou seja, um documento orientador que recolhe as medidas consensualizadas durante esta cimeira de quatro dias e que será "mais preciso, mais articulado, mais operativo" do que as normas até agora vigentes. 

Este novo documento deverá ser analisado antes da assembleia plenária dos bispos portugueses, marcada para Abril. E configurará uma evolução por parte da Igreja em Portugal, já que, até agora, D. Manuel Clemente defendeu sempre que as directrizes aprovadas em 2012 eram suficientes para responder aos casos de abusos envolvendo membros da Igreja em Portugal.

Quanto à divulgação de estatísticas sobre casos ocorridos em território português, a posição da CEP (que até agora falava vagamente em cerca de uma dezena de casos, considerando que foram "pouquíssimos", e referindo que mais de metade acabaram arquivados, por falta de fundamento) também parece ter mudado. "Tudo aquilo que for necessário fazer para que as coisas se esclareçam, para que se avance, há-de ser feito", admitiu aos jornalistas, admitindo como "possível" a divulgação de tais estatísticas. 

D. Manuel Clemente mostrou-se, de resto, "grato" a Francisco por ter feito algo que "é um exemplo" para todos. É um grande serviço que o Papa acaba por prestar a todos nós, porque somos membros da Igreja, no nosso caso, e membros da sociedade, e em todos estes âmbitos devemos ser responsáveis e co-responsáveis", declarou, voltando a fazer a apologia do celibato dos padres, cujos fim foi reclamado por várias das vítimas de abuso ouvidas nesta cimeira: "Isto é que é importante e tem sido reforçado: que ninguém aceda ao sacerdócio na Igreja Latina sem que se reconheça efectivamente que há esse carismas celibatário. É esta a insistência, e cada vez maior."