Governo apreensivo com ultimato de Mário Nogueira

Na véspera do arranque de nova ronda negocial entre o Governo e os professores, Mário Nogueira mostrou "intransigência". O executivo afirma-se com "grande apreensão".

Mário Nogueira revelou "grande intransigência", na opinião do Governo
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Mário Nogueira revelou "grande intransigência", na opinião do Governo Rui Gaudencio

Na véspera do reinício das negociações entre o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e os sindicatos de professores sobre o descongelamento das carreiras, o Governo viu de forma negativa e ficou apreensivo com as declarações do líder sindical Mário Nogueira em entrevista ao jornal online Eco. Nogueira afirmou: “Está fora de hipótese. Não há acordo possível com menos de nove anos.”

Ao PÚBLICO, um responsável do Governo afirmou: “Esta declaração do professor Mário Nogueira foi vista com grande apreensão pelo Governo.” O mesmo responsável governamental explicou que “uma vez que se vai partir para o diálogo e para a negociação”, a declaração de Mário Nogueira revela “uma grande intransigência”.

De acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, no caso de não existir disponibilidade da parte dos sindicatos para também cederem nas negociações que esta segunda-feira recomeçam, “se não houver avanços”, o Governo voltará a apresentar o diploma em que propunha que o reconhecimento de carreiras para efeitos de reforma fossem reconhecidos, durante 2019, em dois anos nove meses e dezoito dias. Ora os sindicatos dos professores têm insistido no direito a verem reconhecido o descongelamento das carreiras nove anos, quatro meses e dois dias, embora admitam que não seja tudo de uma vez.

Refira-se que a lei do Governo aprovada o ano passado previa apenas esse aumento, tendo sido vetada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a 26 de Dezembro. O veto surgiu na sequência de, durante a aprovação do Orçamento do Estado para 2019, onde estava inserida a previsão desta despesa, os partidos parlamentares, PSD, PCP e BE, terem aprovado uma alteração na qual obrigavam o Governo a reabrir o processo negocial.