Os impérios contra-atacam: o fim da Marvel no Netflix

O fim das séries Marvel no Netflix é uma pista para a concentração inevitável e o início da nova fase do streaming concorrencial.

<i>Jessica Jones</i>
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Jessica Jones Netflix

Há uma semana, perguntava-se no P2 quantas mais séries cabem no guarda-chuva dos super-heróis — a chuva era a do Netflix, sempre a produzir mais e mais títulos e tão pronta quanto qualquer outro “canal” para aproveitar a popularidade destas histórias. Mas dias depois de chegar Umbrella Academy, uma nuvem de super-heróis deixou de pingar no Netflix — as séries da Marvel, que em tempos foram um sinal do magnetismo do Netflix, que obtinha assim conteúdo dos Marvel Studios, chegavam ao fim. Este é um texto sobre televisão que vai deixar de existir, mas que vai continuar porque há sempre sequelas quando os impérios contra-atacam.

Não serão produzidos mais episódios The Punisher nem de Jessica Jones (que ainda vai estrear no Netflix a sua terceira temporada). Demolidor, Luke Cage e Iron Fist também já tinham sido canceladas em 2018. Mais do que fadiga quanto a capas e mutantes, o fim chegou porque cada estúdio tenderá a ter o seu serviço de streaming com a sua produção original. E, como escreve o analista Scott Mendelson na Forbes, “porque [o Netflix] pode”, dada a sua capacidade de produção e implantação no mercado. 

Se o Netflix foi pioneiro na sua investida no streaming de produtos de vários estúdios e, depois, na criação de conteúdo original, esse caminho não tem volta e os grandes estúdios, os incumbentes deste mercado, compraram bilhete para seguir viagem. A Marvel Studios pertence à Disney, cujo serviço próprio de streaming, o Disney+, é um dos mais aguardados e terá trunfos como Star Wars e todo o mundo da animação e televisão infanto-juvenil à sua disposição. O fim destas séries, e deste contrato, é, como escreveu a Hollywood Reporter, “um sinal do início da nova ordem mundial do streaming”.

Com os espectadores mais jovens a aderir directamente ao streaming e a dispensarem curadores como os programadores da TV tradicional, este é um mercado irresistível onde já há Hulu (que não está presente em Portugal mas cujos títulos vão sendo exibidos na HBO Portugal ou na Fox, por exemplo, cujo estúdio homónimo detém em parte o Hulu), Amazon Prime e, em Portugal, serviços como o Nos Play ou a Fox Play. Mas o futuro é já no final de 2019 com o Disney+, e com a continuação da expansão, e fragmentação, deste mercado. Também porque estas séries agora canceladas poderão ressuscitar em novas casas, segundo dizem a Marvel e a Disney.