Opinião

Cartas ao director

Ciência no PÚBLICO

Desde sempre as páginas de Ciência no PÚBLICO foram uma mais valia para o jornal e... para nós. O dia de ONTEM é bem exemplo disso com os dois artigos: "Novo ADN sintético tem oito letras e não as "naturais" quatro" e "Há quase 2000 bactérias nos nossos intestinos, que desconhecíamos", da autoria de Andrea Cunha Freitas e Margarida Coutinho, respectivamente. Escritos "na hora" e trazidos de revistas mais que idóneas e universais como são a Science e a Nature.

Em jeito de especulação jocosa direi que lá se vai Deus retirar mais um pouco para além de Deus, bem como a barreira entre natural e artificial, no primeiro caso, e temos que nos habituar a que os "bichinhos" fazem parte integrante de nós em cada vez mais diversificado número, no segundo. Parabéns, portanto, ao PÚBLICO que nos informa, mesmo que esse conhecimento nos possa "incomodar" como seres frágeis que somos!

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

Que caminho Igreja?

Que paradoxo este o que a Igreja Católica vive no seu dia-a-dia. Prega uma coisa, faz outra. Evangeliza um homem, não o pratica. Não quero de todo abordar este assunto vigorante da actualidade da Igreja. Escrevo porque me intriga esta hipocrisia que se vive na Igreja.

Que organização é esta que evangeliza a liberdade e depois não tem a capacidade de dar aos seus sacerdotes a opção de escolher como querem viver a sua sexualidade. Que liberdade é esta que prega um homem ousado e inconformado com a realidade que vive e depois transforma os seus fiéis em meros espectadores e passivos na acção da Igreja. Que liberdade é esta que Jesus prega e que tem como participação uns agentes acomodados e estagnados na sua fé. Que liberdade é esta que tem como resposta o não questionar e duvidar? Que igreja é esta que quer reinar na ignorância?

Paulo Vigário, Estarreja

Filha de peixe

Pode Mariana Vieira da Costa ter qualidades intrínsecas que justifiquem a sua “carreira” e recente nomeação ministerial. No entanto, o facto de ser filha de um notável que por acaso também é actualmente ministro, coloca-a sob escrutínio especial. Pode até haver ministros e outros que tais menos capazes, mas o CV da recém-nomeada é eloquente. Nunca trabalhou fora da esfera política e para-política e, obviamente, esse percurso será em grande parte devido à sua proximidade com uma elite, que assim se perpetua em consanguinidade cultural e social.

Mas há pior do que esse simples definhamento de meio fechado. Há a questão de gente como a nova ministra nunca terem vivido a vida dos que são supostos governar. Nunca tiveram de lutar por um posto de trabalho a sério como a esmagadora maioria da população. Nunca tiveram contacto com a efectiva criação de valor, porque antes de distribuir é necessário criar. Não viveram nem sofreram os riscos do empreendorismo, por mais pequeno que seja, e têm uma visão da meritocracia distorcida. É pobre e empobrecedor.

Carlos J F Sampaio, Esposende