Exclusivo. Ouça e veja NU dos First Breath After Coma

Novo disco da banda de Leiria é também uma peça audiovisual ambiciosa. Ouça e veja aqui, em exclusivo.

Tornaram-se sensação indie emergente em Portugal, com Drifter (2016), entre o pós-rock e a canção. NU, o novo disco dos leirienses First Breath After Coma, dá passos rumo à recusa de uma classificação simples. Há outra surpresa: NU é um disco, sim, mas é também um filme – que o PÚBLICO estreia aqui, em exclusivo.

NU, com edição da Omnichord Records (ponta-de-lança da fértil cena musical de Leiria) agendada para 1 de Março, é uma peça audiovisual em que First Breath After Coma e o Casota Collective, que integra todos os membros da banda, se confundem. Cada tema é uma cena do filme, que tem o actor Rui Paixão como protagonista. "O filme explora o conceito de labirinto, como um intrincado caminho para as profundezas da natureza humana. A fragilidade do ser humano, os seus maiores medos e forças, são expostas de uma forma crua e única. Uma epopeia sobre o nascimento, vida e morte", reza a sinopse do filme.

“Desde o primeiro álbum que temos vindo a fazer os nossos próprios videoclipes, sendo a nossa paixão, não só o som, mas também a imagem”, afirma ao PÚBLICO a banda, por e-mail. “Essa simbiose, que temos vindo a desenvolver cada vez mais de disco para disco, não poderia estar mais presente neste último trabalho, já que as duas vertentes fazem parte do nosso dia-a-dia. Foi um conceito idealizado desde o início, mas sem termos forçado muito, foi ganhando forma de maneira natural. Cada capítulo é pensado numa composição de imagem e som, os oito capítulos juntos são o NU.”

Esta foi a “maior produção da banda”, fruto de “dias de trabalhos bastante intenso”. “Chegámos a gravar seis capítulos do NU numa semana”, explicam. O que, tratando-se de uma produção do Casota, habituado a fazer vídeos extravagantes, implicou uma enorme logística: “Entre dirigir quarenta e tal pessoas nuas no topo do monte, escavar um labirinto à mão, construir uma casa modular em Leiria e levá-la para o Alentejo, cobrir o chão de um corredor com brita, ensinar uma tartaruga a representar… foi de loucos!”.

Uma evolução natural para a banda/colectivo audiovisual. “Entrar no universo do cinema foi algo que sempre ambicionámos fazer. Queríamos realizar filmes mais longos do que videoclipes e criar bandas sonoras”, dizem.

O início da criação do álbum “cruza-se com a reconstrução de uma casa antiga”, “a meia dúzia de metros” do estúdio da banda, que aproveitaram para restaurar. Os First Breath After Coma viveram juntos durante o processo de criação de NU. “Era impensável não aproveitarmos a ideia de acordar todos os dias com a serra como plano de fundo, junto à nascente do rio Lis e com alguns degraus a separar-nos de fazer música. Acabámos por passar a viver juntos desde então”, referem.

“Esta decisão acabou por marcar um período bonito nas nossas vidas, que se reflectiu no álbum”, acrescentam. “Foi raro estarmos todos a criar ao mesmo tempo, mas também não era frequente o estúdio estar vazio.” Resultado: o álbum dos First Breath After Coma “mais íntimo e pessoal”.

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