Ministro da Defesa contra serviço militar obrigatório

João Gomes Cravinho considera "salutar" que haja debate sobre a matéria.

João Gomes Cravinho na cerimónia de assinatura dos protocolos de cooperação para a implementação do Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz
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João Gomes Cravinho na cerimónia de assinatura dos protocolos de cooperação para a implementação do Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz LUSA/ANTÓNIO JOSÉ

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, afirmou nesta sexta-feira que não é favorável ao serviço militar obrigatório (SMO), admitindo que a solução para resolver o problema das Forças Armadas poderá ser outra.

"Eu não sou favorável à questão do serviço militar obrigatório, mas sou muito favorável a que os portugueses conheçam melhor as Forças Armadas", afirmou João Gomes Cravinho.

O ministro da Defesa falava aos jornalistas à margem da cerimónia de assinatura dos protocolos de cooperação para a implementação do Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz, que decorreu em Alcains e envolveu os 11 municípios do distrito de Castelo Branco.

Gomes Cravinho sublinhou que é salutar que haja debate sobre a questão do SMO, mas admitiu que não está convencido de que essa seja a solução para questões relacionadas com os efectivos das Forças Armadas.

"Temos um conjunto de respostas que estamos a desenvolver para que haja mais recrutamento. Devo dizer que esta é uma questão que não se coloca apenas em Portugal. Na generalidade dos países europeus verifica-se o mesmo", sustentou.

Questionado sobre as recentes declarações proferidas pelo Inspector-geral do Exército, major-general Luís Nunes da Fonseca, perante os deputados da comissão de inquérito ao furto de material de guerra dos paióis de Tancos, que admitiu ser um "facto que houve alguma falta de cumprimento de deveres", Gomes Cravinho disse que as questões sobre essa matéria "estão onde devem estar".

"As questões relacionadas com esse evento estão onde devem estar, que é na esfera judicial, por um lado, e na comissão parlamentar de inquérito. Não fazem parte do dia-a-dia das Forças Armadas que são a minha preocupação", frisou.

Gomes Cravinho realçou ainda que está "muito satisfeito" em verificar que as Forças Armadas, hoje em dia, estão plenamente concentradas nas suas missões e não em olhar para "eventos que foram lamentáveis", mas que estão ultrapassados.