Entre o "desassombro" e o carisma de Arnaldo Matos

Marcelo Rebelo de Sousa, Fernando Rosas, Ana Gomes e José Lamego reagem à morte do fundador do PCTP/MRPP.

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Marcelo Rebelo de Sousa:  "Arnaldo Matos ficará na memória de todos como um defensor ardente da liberdade"
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Marcelo Rebelo de Sousa: "Arnaldo Matos ficará na memória de todos como um defensor ardente da liberdade" Lusa/Estela Silva
Fernando Rosas: "Fundámos o MRPP de que ele foi o líder carismático"
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Fernando Rosas: "Fundámos o MRPP de que ele foi o líder carismático" Nuno Ferreira Santos
Ana Gomes: "Era um homem tão fulgurantemente inteligente como iconoclasta"
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Ana Gomes: "Era um homem tão fulgurantemente inteligente como iconoclasta" Miguel Manso

O Presidente da República publicou uma nota no site oficial da Presidência da República na qual envia condolências à família de Arnaldo Matos, líder-fundador do partido maoísta MRPP, que faleceu esta sexta-feira, e recorda o seu papel na história contemporânea de Portugal: "Personalidade da vida pública portuguesa conhecida pelo desassombro das suas intervenções, Arnaldo Matos ficará na memória de todos como um defensor ardente da liberdade e como um lutador pela causa da justiça social e dos mais desfavorecidos. Concordando-se ou não com as suas ideias e afirmações, a voz de Arnaldo Matos, pela sua intransigente independência, contribuiu decisivamente para enriquecer o debate democrático e para o pluralismo de opinião no seio da sociedade portuguesa. Por tudo isso, Portugal ficou mais pobre com o seu desaparecimento".

Ao PÚBLICO, Fernando Rosas deixa o seu depoimento: "Conheci o Arnaldo Matos quando era estudante com ele na Faculdade de Direito de Lisboa e onde ele se destacou como líder carismático do movimento estudantil na luta contra a repressão e contra a guerra colonial. Fundámos o MRPP de que ele foi o líder carismático. No fim dos anos 70, os nossos caminhos desviaram-se e perdemos o contacto. Apresento ao MRPP as minhas condolências."

Por sua vez, José Lamego, ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação dos governos de António Guterres, que militou desde a fundação no MRPP, na célula dirigida por Saldanha Sanches, e que saiu deste partido no Verão de 1974, declarou ao PÚBLICO sobre a morte de Arnaldo de Matos: "Fico com muita pena."

Igualmente a eurodeputada do PS Ana Gomes, que militou no MRPP, lamentou a morte de Arnaldo Matos em declarações ao PÚBLICO. "Lamento muito. Era um homem tão fulgurantemente inteligente como iconoclasta", afirmou Ana Gomes, acrescentando: "Era um líder inspirador do MRPP de que eu fui membro há 40 anos".

A eurodeputada sublinhou ainda: "Desde que me afastei do MRPP em 1976, por discordar da linha política que ele imprimiu ao partido de desvalorização do quadro democrático em que pudemos começar a operar a seguir ao 25 de Abril, continuei a manter uma grande consideração por ele, embora discordando profundamente dele, cada vez mais." E concluiu: "Tenho pena que se tenha automarginalizado da intervenção política porque era uma voz tão inteligente."