E ao terceiro dia, Lagerfeld regressou à passerelle da Fendi

O desfile da Fendi, esta quinta-feira, revelou a última colecção assinada por Lagerfeld, que esteve 54 anos à frente da direcção criativa da marca italiana. Trabalhou nela até aos últimos dias.

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No desfile desta quinta-feira, a Fendi prestou homenagem a Karl Lagerfeld, que morreu no início da semana, aos 85 anos. Apesar do nome do criador ser mais rapidamente associado à Chanel, também na marca italiana, onde trabalhou durante 54 anos, o criador teve um impacto profundo

Segundo o CEO da Fendi, Serge Brunschwig, Lagerfeld esteve a trabalhar na sua última colecção para a Fendi até ao último dia, escreve o New York Times.

No final do desfile, a marca partilhou um vídeo em que o criador é desafiado a desenhar-se a si próprio no dia que chegou à Fendi. “Bem, isso é pré-história, mas eu lembro-me. Sabem, nos anos 1960, não nos contínhamos...”, começa por dizer. Descreve então o visual da cabeça aos pés: tinha um chapéu Cerruti, cabelos longos, óculos escuros, uma gravata, um casaco como os casacos de caça à inglesa, umas culottes à francesa e botas.

Lagerfeld entrou na Fendi em 1965 e em 1977 lançou a primeira colecção de pronto-a-vestir, para a qual ainda hoje contribuía como director criativo, ao lado de Silvia Venturini Fendi, que representa a terceira geração da família. Só em 1983 é que entrou na Chanel, como director criativo. Chegou também a trabalhar com a Chloé, entre 1974 e o final da década de 1990, com um período de interrupção. Em 1984, fundou a sua marca epónima.

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Além do impacto que teve em modernizar as peças de pêlo da marca italiana, o criador de origem alemã deixou o seu cunho a vários níveis. Num dos exemplos mais evidentes, desenhou o clássico monograma do duplo "F" da Fendi. Mas o monograma que apareceu repetido em collants, casacos de pêlo e outras peças no desfile esta semana foi aquele que Lagerfeld desenhou em 1981, ao qual deu o nome FF Karligraphy. Do monograma aos enormes e pontiagudos colarinhos — semelhantes àqueles que o próprio criador gostava de vestir — era evidente a sua influência até à última colecção. Os penteados, com um rabo-de-cavalo preso junto à nuca, pareciam prestar homenagem ao criador.

Na sua fundação, a Fendi era essencialmente uma marca de peças de pêlo, mas nos últimos anos tem reduzido o foco neste tipo de peças, observa o Telegraph. A nível internacional, a renúncia ao uso deste material (ou a sua substituição por faux fur), tem sido feita por inúmeras marcas e criadores, entre eles Michael Kors, Armani, Ralph Lauren e Tommy Hilfiger. “Não quero matar animais para fazer moda”, anunciou Donatella Versace, no ano passado.

Na entrada da passerelle, esta quinta-feira, estava escrito “Love Karl” e nos lugares onde se sentavam os convidados foram deixados pequenos cartões com a assinatura do criador e um “F” de Fendi com um coração de um lado e a data da sua morte do outro. No final do desfile, Silvia Venturini Fendi agradeceu, tal como costumava fazer ao lado de Lagerfeld. Ao Telegraph, descreveu a relação da Fendi com Lagerfeld como “a mais longa história de amor da moda”.

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