Artigos sobre bioimpressão em 3D e diabetes distinguidos pelo Prémio Pulido Valente Ciência

O prémio de dez mil euros será repartido pelos vencedores Rúben Pereira e Joana Sacramento.

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Este ano o Prémio Pulido Valente Ciência tinha o tema engenharia biomédica Stefan Wermuth/Reuters

Rúben Pereira – do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, no Porto – publicou na revista Materials Horizons um artigo científico sobre bioimpressão de pele em 3D. Já Joana Sacramento – do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova e Lisboa – lançou na revista Diabetologia um estudo sobre uma potencial abordagem terapêutica a diabetes de tipo 2. São estes os dois artigos científicos na área das ciências biomédicas (realizados em Portugal e por investigadores com menos de 35 anos) distinguidos pelo Prémio Pulido Valente Ciência 2018, que este ano teve como tema a engenharia biomédica. Entregue a 7 de Março no Palácio das Laranjeiras (Lisboa), o prémio de dez mil euros será dividido pelos dois vencedores.

No trabalho publicado na Materials Horizons, Rúben Pereira quer contribuir para os avanços científicos na reparação das lesões da pele (como queimaduras ou feridas crónicas). Desta forma, como explica num comunicado sobre o prémio, a sua equipa desenvolveu “uma estratégia multidisciplinar para o fabrico automático de substitutos artificiais e modelos 3D in vitro da pele, através da combinação de biomateriais avançados, bioimpressão 3D e células humanas”.

No mesmo comunicado, o investigador explica que começou por conceber à escala molecular um novo biomaterial de origem natural baseado em pectina (polímero natural). Depois, combinou o biomaterial com fibroblastos (células da derme). No fim, esse biomaterial foi aplicado na bioimpressão 3D de hidrogéis celularizados, que são capazes de suportar a viabilidade das células após a bioimpressão. Desta forma, acrescenta o investigador, estimular-se-á a formação de novo tecido na derme com composição semelhante ao tecido original.

Rúben Pereira adianta ainda que os substitutos da pele fabricados por esta estratégia multidisciplinar poderão ser específicos para cada doente. Esta estratégia, que pode ter várias aplicações na medicina regenerativa, permitirá também desenvolver modelos 3D in vitro da pele para testar novos produtos e terapias ou para compreender os mecanismos usados pelas células em resposta a uma lesão.

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O investigador Rúben Pereira DR

Já o trabalho publicado em 2018 por Joana Sacramento teve o objectivo de avaliar o efeito de uma aplicação bioelectrónica no nervo do seio carotídeo (que liga o corpo carotídeo – órgão que se situa bilateralmente na bifurcação da artéria carótida e que é responsável pela resposta às diminuições de oxigénio no sangue – ao cérebro) em ratos com diabetes de tipo 2.

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A investigadora Joana Sacramento DR

“Já tinha sido anteriormente comprovado pelo nosso grupo que em modelos animais de diabetes de tipo 2 a actividade deste órgão [o corpo carotídeo] está aumentada”, explica Joana Sacramento ao PÚBLICO. “Assim, de modo a modular a actividade deste órgão e com um objectivo terapêutico para a diabetes tipo 2, foram implantados eléctrodos no nervo do seio carotídeo de animais com esta doença.”

O que se verificou nessas experiências? Que é possível restaurar a sensibilidade à insulina, assim como conseguir um controlo glicémico nos ratos. Demonstrou-se ainda que a modulação eléctrica é reversível. “Uma vez que a diabetes de tipo 2 se caracteriza por um aumento das concentrações de glucose no sangue e que, até ao momento, não existe uma terapia efectiva no controlo glicémico a longo prazo, este trabalho abre portas para o desenvolvimento de uma nova terapia para a diabetes tipo 2, doença que afecta cada vez mais pessoas em todo o mundo”, assinala a investigadora, que terminou esta semana o seu doutoramento sobre a modulação da actividade do corpo carotídeo como intervenção terapêutica nas doenças metabólicas.

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