Técnicos de diagnóstico em greve contra fim de negociações

Sindicato afirma que diploma do Governo empurra 97% dos técnicos para a base da carreira.

Técnicos de diagnóstico criticam Marcelo por ter promulgado um diploma sobre a carreira destes profissionais de saúde
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Técnicos de diagnóstico criticam Marcelo por ter promulgado um diploma sobre a carreira destes profissionais de saúde Fabio Augusto

Os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica iniciaram à meia-noite desta quinta-feira uma greve em protesto contra o "encerramento unilateral” do processo negocial da carreira e a aprovação do regime remuneratório sem acordo dos sindicatos.

Além da greve, de 24 horas, convocada pelo Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, os profissionais da saúde vão concentrar-se às 14h00 em frente à Presidência da República, de onde seguirão em desfile até à Assembleia da República.

No protesto, os trabalhadores pretendem mostrar o seu descontentamento ao Governo e “sensibilizar os partidos” para que “passem das palavras aos actos e cumpram as promessas que têm feito”, refere o sindicato.

Pretendem ainda, “de alguma forma, responsabilizar o senhor Presidente da República, porque promulgou o decreto-lei, apesar dos sucessivos pedidos de reunião dos sindicatos e de grupos de profissionais”, disse à agência Lusa o vice-presidente do sindicato, Fernando Zorro.

Sobre os motivos da greve, o dirigente sindical disse que se prendem com o encerramento, por parte do Governo, das negociações da revisão de carreira de “forma unilateral”, após uma “longa negociação”, e ter publicado o decreto-lei que regulamenta a carreira dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica sem acordo com os sindicatos.

Segundo Fernando Zorro, o decreto-lei, já promulgado pelo Presidente da República, “prejudica os trabalhadores que se encontram neste momento a trabalhar há 10, 15, 20 e alguns até há 30 anos”.

“Um trabalhador que exerça a sua actividade há 20 anos vai ganhar exactamente o mesmo que um profissional que entrou no dia 1 de Fevereiro”, disse o dirigente sindical.

O decreto-lei faz “o apagão de todo o tempo de serviço e faz com que 97% dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica vão para a base da carreira, independentemente do tempo” que já trabalharam, sublinhou.

Os trabalhadores exigem a alteração do diploma, “transições justas que contemplem” estes trabalhadores nas três categorias da carreira e que o tempo de serviço e a avaliação de desempenho anterior ao processo de transição para a carreira especial dos profissionais releve para efeitos de recrutamento para as categorias superiores e para efeitos de alteração de posição remuneratória.

Exigem ainda, entre outras reivindicações, o correcto descongelamento das progressões dos técnicos, independentemente do vínculo laboral e “o fim de todas as bolsas de horas ilegalmente constituídas, sem o acordo escrito do trabalhador, com o pagamento integral como trabalho extraordinário”.

Os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica são um grupo profissional que abrange 18 profissões de saúde, como analistas clínicos, técnicos de radiologia ou fisioterapia.

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