Suíça começa a julgar antigo sargento que lutou contra o Daesh

Johan Cosar, de 37 anos, é acusado de combater num exército estrangeiro, um crime punível na Suíça com uma pena de até três anos de prisão.

O antigo sargento diz que voltaria a fazer o mesmo
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O antigo sargento diz que voltaria a fazer o mesmo LUSA/ALESSANDRO CRINARI

Um antigo sargento do Exército suíço começou a ser julgado esta semana por ter combatido na Síria — não ao lado do Daesh, mas contra os extremistas islâmicos e em nome dos cristãos sírios. Johan Cosar, de 37 anos, pode ser condenado a três anos de prisão por ter integrado um exército estrangeiro.

A lei na Suíça é clara: quem se junta a um exército estrangeiro sem autorização expressa do governo, enfrenta uma pena de prisão.

É assim desde que o país se tornou oficialmente neutro, em 1815, depois de séculos em que os jovens suíços se destacavam a combater como mercenários em exércitos estrangeiros.

Como a lei não faz distinções entre as motivações dos exércitos estrangeiros, Johan Cosar foi acusado e começou a ser julgado quarta-feira em Bellinzona, perto da fronteira com a Itália.

"A lei proíbe que se combata numa força estrangeira. É irrelevante que força é essa", disse uma porta-voz do Exército suíço, citada pela BBC.

Mas os suíços que saíram do país para combaterem ao lado do Daesh enfrentam uma pena muito superior: até 20 anos de prisão.

Sem arrependimento

Durante os anos em que esteve na Síria, Cosar ajudou a organizar uma força com mais de 500 combatentes chamada Conselho Militar Siríaco. Para além de combater e recrutar, o suíço também partilhou as técnicas que aprendeu no Exército do seu país.

Cosar é um cristão suíço, mas os seus avós têm raízes na Síria. Foi para a Síria para trabalhar como jornalista freelance, mas diz que decidiu combater quando percebeu que os grupos islamistas estavam a avançar contra as comunidades cristãs.

Segundo a BBC, o ambiente na sala do tribunal indica que Johan Cosar pode vir a ser tratado com alguma clemência. Mas as autoridades não querem enviar o sinal de que é aceitável combater ao lado de determinados exércitos estrangeiros.

Na terça-feira, numa entrevista ao canal suíço SRF, o antigo sargento disse que não aceita as acusações: "Não, não me considero culpado. Defendi pessoas inocentes e não me arrependo do que fiz. E se acontecesse na Suíça, seria o primeiro a combater."