Governo não tem "plano específico" militar para retirar portugueses da Venezuela

Saída da Base Aérea do Montijo custará 100 milhões e só acontecerá se e quando houver "confirmação" de que o segundo aeroporto da área de Lisboa será naquele concelho. Ministro diz ainda que ANA vai pagar 28 milhões para deslocar Figo Maduro.

Ministro diz que trabalhos em Figo Maduro serão responsabilidade da ANA
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Ministro diz que trabalhos em Figo Maduro serão responsabilidade da ANA Rui Gaudêncio

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, esclareceu esta quarta-feira de manhã no Parlamento que Portugal não tem nenhum "plano operacional" militar para retirar portugueses da Venezuela. O ministro assume que a questão de retirada de nacionais de países em conflito ou alvo de catástrofes foi debatida pelos ministros da União Europeia, mas não o caso particular da Venezuela.

"Não temos um planeamento especifico para a Venezuela. Temos um conjunto de parâmetros, no caso de ser necessário em algum momento em alguns países. Para entrar num plano específico tem de haver um planeamento que não está a ser feito porque não sentimos necessidade de o fazer", garantiu o ministro que reforçou a ideia: "Não temos um plano operacional para retirar portugueses da Venezuela", insistiu.

Contudo, se for necessário, Cravinho garante que as forças armadas têm capacidade de responder de forma célere. Além disso, o ministro dos Negócios Estrangeiros, disse no mês passado em entrevista ao PÚBLICO que o executivo tem um "plano de contingência" para "apoiar" os portugueses na Venezuela.

Em causa estão declarações que proferiu no final de Janeiro, à margem da reunião informal dos ministros da Defesa da União Europeia, em Bucareste e que diz terem sido mal interpretadas. O governante garante que apenas foi debatido no campo das hipóteses e que não foi decidida nem discutida uma intervenção militar para retirada de nacionais de vários países da Venezuela. "A palavra Venezuela nunca foi mencionada. Existe no campo das hipóteses e aplica-se à Venezuela como a qualquer outra parte do mundo", referiu.

Saída do Montijo só quando houver "confirmação

Na audição no Parlamento, Gomes Cravinho afirmou que a Força Aérea não vai começar os trabalhos de saída dos militares da Base Aérea do Montijo até que haja a "confirmação" final que o novo aeroporto de Lisboa será mesmo naquele espaço.

"A Força Aérea apenas começará a desenvolver os seus trabalhos (...) quando o financiamento estiver disponível" e esse, disse, só será disponibilizado pela concessionária, pela ANA Aeroportos, "quando houver estudo de impacto ambiental e, portanto, a confirmação de que é o Montijo", disse na comissão parlamentar de Defesa, onde está a ser ouvido. "Não avançaremos sem a confirmação de que o aeroporto vai ser no Montijo. Se não for, a Força Aérea continuará a utilizar o Montijo como até agora", disse.

João Gomes Cravinho confirmou que este processo de deslocalização custará "100 milhões de euros para relocalização do dispositivo", que ficará a cargo da concessionária, a Vinci.

Além deste valor, haverá despesas "que não serão suportadas pela Força Aérea relacionadas com a AT1 (Figo Maduro), que ficará noutro local do aeroporto Humberto Delgado. As nossas contas apontam para um valor de 28 milhões de euros, mas [isso] não é responsabilidade da Força Aérea", será também da concessionária, afirmou.

O governante disse ainda que o planeamento da deslocalização dos militares do Montijo está ser feito, mas não as operações de transferência. "Não temos suficientes meios para fazer tudo em simultâneo. Temos de fazer um faseamento muito rigoroso", disse.

A saída do Montijo implica uma divisão dos aviões e helicópteros da Força Aérea pelas bases de Sintra e de Beja.

Militares para a ciberdefesa

O Governo vai ainda aumentar em 170 militares o número de efectivos das Forças Armadas para 2019, visando reforçar as capacidades de `ciberdefesa´ e de gestão dos meios aéreos de combate aos fogos, anunciou o ministro.

O aumento de 170 militares será distribuído pelos três ramos das Forças Armadas, mas visa em particular reforçar a capacidade de "ciberdefesa" e dar resposta à Força Aérea na nova competência de comando e gestão dos meios aéreos de combate aos fogos rurais, disse João Gomes Cravinho.

Os efectivos fixados para 2019 ficarão nos 31.333, mais 170 do que em 2018, 31.163 militares, de acordo com o projecto de decreto-lei que será aprovado em breve e tem por base uma proposta do conselho de chefes militares, disse à Lusa fonte do Ministério da Defesa. Com Lusa

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