Sophie Elvis/Unsplash
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Megafone

Quanto mais jogarem, melhor

Se os jogos constituem arenas de conflitos, entre os jogadores ou simplesmente com o sistema de jogo propriamente dito, podemos utilizá-los como arenas de treino.

Há jogos para todos os gostos, desde os mais físicos aos mais intelectuais. Independentemente do seu formato, os jogos são poderosas actividades para múltiplos fins.

Existem igualmente imensas definições para jogo. Prefiro a abordagem de Katie Salen e Eric Zimmerman, patente no livro Rules of Play: Game Design Fundamentals, onde nos dizem que: “Um jogo é um sistema em que os jogadores participam num conflito artificial, definido por regras, que produzem resultados de forma quantificável”.

Se os jogos constituem arenas de conflitos, entre os jogadores ou simplesmente com o sistema de jogo propriamente dito, podemos utilizá-los como arenas de treino. Como são artificiais, são controlados e produzidos pela mão humana, sendo direccionados para os objectivos que desejarmos, segundo as regras mais apropriadas. Para ultrapassar e resolver os conflitos, os jogadores têm de fazer determinadas tarefas, associadas a determinadas competências. Ainda por cima, os jogos devolvem resultados imediatos, o que facilita a avaliação da progressão e desempenho.

Curiosamente, na definição anterior de jogo não consta o factor diversão. Mas podemos contar com isso. Os jogos são feitos para dar prazer e diversão, nas suas múltiplas formas. Há uma relação entre o prazer que se retira de cada jogo e o perfil psicológico individual de cada pessoa. Por isso é que se diz que há sempre um jogo perfeito para cada pessoa.

Sendo então os jogos formas de testarmos as nossas competências, melhorando a nossa performance à medida que vamos dominando os próprios sistemas dos jogos, podemos dizer que são plataformas de aprendizagem. Por serem actividades divertidas são ainda mais poderosas, porque a esmagadora maioria de nós deseja a diversão. 

Podíamos dizer que apenas seria útil jogar se isso fosse propositadamente direccionado para objectivos específicos, algo que se utiliza nos serious games. No entanto, jogar livremente é muito importante. Quem nos alerta para isso, ainda que indirectamente, é Daniel Kahneman, prémio Nobel da Economia, no livro Pensar, Depressa e Devagar. Diz-nos Kahneman que o treino constante e repetido gera heurísticas, que garantem atalhos mentais para a capacidade de tomar boas decisões rapidamente sobre assuntos complexos e delicados, sem ter de fazer todos os procedimentos de análise e avaliação.

Então se os jogos são plataformas pelas quais podemos aprender e desenvolver competências, directas e indirectas, enquanto nos divertimos, o tempo utilizado no jogo não é tempo perdido. Muito pelo contrário, jogar regularmente pode preparar-nos para desempenhar bem determinadas funções e tomarmos decisões acertadas. Os jogos ensinam-nos a saber fazer, aprendendo com os nossos próprios erros e com os outros jogadores, pois são actividades práticas, de simulação de realidades artificiais em que podemos testar livremente.

Apesar dos jogos terem um enorme potencial como ferramentas de aprendizagem, treino e socialização, existem vícios associados. Esses fenómenos são bem conhecidos, na mesma medida em que sabemos quais os jogos e contextos mais propensos a esse descontrolo.

Joguem mais, com consciência do que isso implica, especialmente quando isso vos trouxer vantagens.