PSD vai votar a favor da moção de censura do CDS

David Justino critica "oportunidade" da iniciativa apresentada pelos centristas

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David Justino, à direita de Rui Rio, admite votar a favor da moção de censura contra o Governo de António Costa. Paulo Pimenta

O vice-presidente do PSD David Justino declarou que “muito provavelmente” a bancada social-democrata “vai votar a favor” da moção de censura do CDS. “No fundo, nós continuamos contra esta política do Governo. Não faz sentido estarmos a fazer oposição ao Governo e não secundar a moção do CDS só por ser do CDS. Muito provavelmente a posição que vamos tomar é votar a favor”, afirmou o dirigente em declarações, esta manhã, à Rádio Renascença.

Mais tarde, em declarações à TSF, David Justino, criticou a "oportunidade" da iniciativa."Quer pelo contexto quer pela oportunidade é um instrumento que não devia ser aplicado agora", disse, acrescentando que "o efeito prático é praticamente nulo". A mesma desvalorização é manifestada num comunicado do grupo parlamentar do PSD, divulgado esta manhã. "A par de algumas notícias, a sua única consequência é a realização de um debate regimental na Assembleia da República", lê-se no texto, em que é assumido que a bancada "votará a favor de uma censura à política socialista que tem vindo a ser seguida".

Mesmo com o apoio do PSD, a moção de censura ao Governo proposta por Assunção Cristas será chumbada já que PS, PCP, BE e PEV já anunciaram o voto contra na passada sexta-feira. Em reacção ao voto favorável assumido pelo PSD, o vice-presidente do CDS, Nuno Melo, saudou a posição. "Acho que faz muito bem. Mal seria…”, comentou, em declarações à Lusa, à margem de uma acção de pré-campanha para as eleições europeias na estação de Sintra-Meleças. 

Nuno Melo afirmou preferir este posicionamento dos sociais-democratas a uma aproximação aos socialistas, como aconteceu no passado, após a chegada de Rui Rio à liderança do PSD.

“Prefiro ver um PSD que vota a favor das moções de censura que o CDS apresenta do que um PSD que se senta com o PS a celebrar acordos em áreas que são, para nós, graves, entre elas as que consagram impostos europeus ou uma vontade de descentralização que o mundo autárquico repudia”, acrescentou.

Nem o líder do PSD nem qualquer outro alto dirigente social-democrata se tinham pronunciado desde sexta-feira sobre o sentido de voto da bancada à moção de censura. No passado sábado, Rui Rio não quis comentar a iniciativa do CDS para não dispersar as atenções da primeira convenção do conselho estratégico nacional, que se realizava naquele dia. Mas o silêncio gerou alguma especulação tendo em conta a aproximação do PSD ao PS no ano passado. Agora foi desfeito o tabu. 

Horas depois do anúncio da moção de censura, o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, considerava, ao PÚBLICO, que “há muitos motivos para censurar o Governo”, os que foram anunciados pelo CDS e “outros”. “Este Governo está a desfazer os serviços públicos pondo em causa a coesão social”, declarou.

Na véspera de um fim-de-semana com convenções do PSD e do PS, a moção de censura foi vista como uma forma de afirmação do CDS no espaço centro-direita. Essa foi a leitura não só do primeiro-ministro. António Costa, como a do comentador político Luís Marques Mendes. O antigo líder social-democrata considerou, no seu espaço televisivo na SIC, que a moção de censura não tinha “sentido útil” e que estava relacionada com a competição entre o PSD, o CDS e a Aliança sobre “quem faz mais oposição ao Governo, quem lidera a oposição.”

A moção de censura é debatida e votada, esta quarta-feira, na Assembleia da República. 

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