Novos helicópteros da Força Aérea não integram dispositivo de combate a incêndios para 2019

Decisão foi anunciada esta segunda-feira pelo ministro da Defesa. João Gomes Cravinho acredita que os meios já existentes serão suficientes para combater os incêndios.

Governo adquiriu cinco helicópteros "de última geração"
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Governo adquiriu cinco helicópteros "de última geração" Daniel Rocha

Os dois novos helicópteros da Força Aérea Portuguesa (FAP), que substituem aparelhos antigos com mais de 50 anos de serviço, estão preparados para combater incêndios, mas não integram o dispositivo deste ano, disse esta segunda-feira o ministro da Defesa. Estas aeronaves "não fazem parte" do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), apesar de poderem actuar "numa situação de emergência", dado que a sua "função primordial é servir nas múltiplas missões que a FAP tem", afirmou João Gomes Cravinho.

O governante falava aos jornalistas na Base Aérea N.º 11, em Beja, depois de assistir à cerimónia de recepção de dois dos cinco novos helicópteros AW119MK II -- "Koala", comprados pelo Estado português, e da homenagem ao Chefe de Estado Maior da Força Aérea, general Manuel Teixeira Rolo. Segundo o ministro, os novos "Koala" vão substituir os Alouette III, que estiveram ao serviço da FAP durante 56 anos e que chegaram a participar na guerra colonial, tendo como principais funções "busca e salvamento, formação e instrução e protecção civil".

"Estes helicópteros não fazem parte do DECIR, mas podem, em situações de emergência, também acorrer a essa necessidade", sublinhou, referindo que o combate a incêndios "não é uma função primária", mas sim "uma função possível em caso de emergência".

João Gomes Cravinho notou que o DECIR para este ano foi definido pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e terá "61 meios aéreos", sendo "22 meios próprios do Estado" e "39 que serão alugados". Os novos helicópteros "têm capacidade" para combater incêndios, mas "estamos confiantes que o DECIR, com os seus 61 meios aéreos, poderá corresponder a todas as necessidades e é para isso que é pensado", insistiu.

Questionado pelos jornalistas, o ministro indicou que os helicópteros Kamov "não estão equacionados para 2019", precisando que "um deles está acidentado" e os outros cinco "precisam de reparações de fundo", o que "demora muitos meses".

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Incêndios fizeram 116 vítimas mortais em 2017 Mario Lopes Pereira / PÚBLICO

O titular da pasta da Defesa Nacional adiantou que estão dois concursos abertos para o aluguer de "um conjunto muito alargado" de meios aéreos de combate a incêndios rurais, esperando que, "a partir do final deste mês", possa "começar o processo de selecção". Os meios aéreos para o DECIR vão custar "80 milhões de euros", acrescentou.

Quanto aos helicópteros AW119MK II -- "Koala", João Gomes Cravinho considerou que são aparelhos "muito modernos" e "de última geração", acrescentando que os cinco que foram adquiridos pelo Estado português custaram no total 20 milhões de euros.

O ministro revelou que o Estado pode vir a comprar mais dois helicópteros deste modelo, observando que a decisão, que "vai depender de um conjunto de factores", sem precisar quais, será tomada "no final deste ano ou durante o ano de 2020".

"Existe também a possibilidade de, no futuro, termos helicópteros de protecção para as nossas Forças Armadas, como as que estão actualmente destacadas na República Centro Africana", revelou, sublinhando que está a ser equacionada a compra de um "igual a este, mas blindado".

Estes dois novos aparelhos vão ficar localizados na Base Aérea N.º 1, em Sintra, no distrito de Lisboa, tal como os Alouette, enquanto os aviões de instrução e formação Epsilon e os C295 passam para a base de Beja, no "pressuposto" de avançar o Aeroporto Complementar de Lisboa, no Montijo, disse.

O helicóptero AW119MK II -- "Koala", um monomotor, tem capacidade para transportar até sete pessoas, para além do piloto, ou ainda 1.400 quilos em carga suspensa, onde se inclui um balde para o combate a incêndios rurais.