Europeus condenam Maduro por impedir entrada de eurodeputados

Delegação vai voltar a tentar entrar na Venezuela no sábado. Portugal, Espanha, França e o Parlamento Europeu condenam o que Paulo Rangel diz ser um "acto inqualificável" de "crueldade". Partido Popular Europeu apela a boicote diplomático, mas Mogherini recusa.

Foto
A delegação de eurodeputados no regresso ao aeroporto de Madrid-Barajas NICO RODRIGUEZ/LUSA

O presidente do Parlamento Europeu pediu nesta segunda-feira aos governos da União Europeia para agirem “em conformidade” depois de um grupo de cinco eurodeputados do PPE, que iam visitar Juan Guaidó, que reconhecem como Presidente interino da Venezuela, ​terem sido impedidos de entrar no país

Antonio Tajani, citado pelo diário espanhol El País, considerou o que aconteceu à delegação do PPE, o maior grupo político do Parlamento Europeu, uma “nova atrocidade” e “mais uma prova” de que Nicólas Maduro “é um ditador”.

“O regime de Maduro impede os eurodeputados de fazerem o seu trabalho. Mais uma prova de que é um ditador”, escreveu o representante europeu no Twitter.

A decisão já foi condenada por vários Estados-membros. À chegada a um conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros em Bruxelas, o chefe da diplomacia espanhola, Josep Borrell, disse que Madrid "naturalmente" desejava que os parlamentares tivessem podido entrar no país. "Condenamos a atitude do Governo da Venezuela, do senhor Maduro", disse, citado pelo El País.

“Contestamos fortemente as condições em que foram expulsos cinco eurodeputados, que estavam preocupados com o processo democrático na Venezuela”, afirmou, por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian.

Portugal também considera o incidente "lamentável e condenável". “A Venezuela precisa é de gestos de abertura e não de medidas de hostilidade”, disse também em Bruxelas o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, considerando que os métodos "desajustados e injustos" com que foi acolhida a deslocação dos eurodeputados são "próprios de quem não preza as instituições democráticas”.

Rangel fala em "arbitrariedade" e "crueldade"

Ao PÚBLICO, o eurodeputado português Paulo Rangel fala numa “atitude inqualificável por parte do regime não legítimo de Maduro”.

“Este é um retrato da arbitrariedade e, diria até, de crueldade do regime opressor de Maduro”, sublinha. Rangel explica que o objectivo da deslocação era “estar com Guaidó, dialogar com todos os partidos, diplomatas e ONGs que estão centradas na questão humanitária ou na liberdade política”.

Rangel, que volta a ser cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias de Maio, tencionava integrar a comitiva de eurodeputados do PPE à Venezuela mas acabou por não concretizar a viagem ao perder o voo de Madrid para Caracas.

O grupo voltará a tentar entrar na Venezuela no sábado, dia 23, quando se espera que chegue também ajuda humanitária ao país. Ao PÚBLICO, Rangel afirma que está a estudar a possibilidade de integrar a comitiva, mas que, por razões de agenda, o mais provável é que não consiga voar para a Venezuela no fim-de-semana. 

UE não abandona grupo de contacto

González Pons, eurodeputado espanhol a quem Caracas recusou entrada, ao regressar a Madrid nesta segunda-feira apelou à União Europeia que abandone o grupo de contacto formado por Bruxelas — que tem como objectivo fomentar o diálogo político e discutir a crise na Venezuela — e instou os Estados-membros a retirarem as credenciais a todos os embaixadores venezuelanos. “Esta foi a experiência mais desagradável e triste da minha vida”, disse Pons, citado pelo El País.

A mesma sugestão de retirada de credenciais e de cancelamento da participação no grupo de contacto foi feita por Manfred Weber, presidente do PPE. “Nicolás Maduro mostrou novamente que não é um democrata nem o líder legítimo da Venezuela”, disse, citado pela agência Lusa, acusando ainda o regime de Caracas de ter “medo que os observadores estrangeiros vejam o que se passa no terreno”.

No entanto, Federica Mogherini, Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, já anunciou que Bruxelas não vai abandonar o grupo de contacto.