Hospital de Guimarães vai ter serviço de urgência maior

Depois de alguns anos de impasse, a requalificação do serviço de urgência do hospital vimaranense já arrancou e vai estender-se até ao primeiro trimestre do próximo ano, graças a um investimento de 3,3 milhões de euros. A unidade vai ter quase o dobro da superfície actual e espaços diferentes para utentes com necessidades diferentes.

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Hospital de Guimarães serve cerca de 250.000 pessoas Andre Rodrigues

Apesar da intervenção propriamente dita começar apenas na primeira quinzena de Março, o estaleiro das obras já está montado e o acesso rodoviário condicionado em torno do serviço de urgência do Hospital Senhora da Oliveira, unidade de referência para cerca de 250.000 pessoas, não só no concelho de Guimarães, mas também de Vizela, de Fafe e de Cabeceiras de Basto. Até Março de 2020, a infra-estrutura vai-se transformar graças a um investimento de 3,3 milhões de euros, financiado pelos capitais próprios do hospital, pelos fundos comunitários e pela Câmara Municipal de Guimarães.

Uma das mudanças mais óbvias no serviço é o aumento da sua área, de 1.200 para 2.300 metros quadrados. Esse crescimento, disse ao PÚBLICO o presidente do Conselho de Administração do hospital, Henrique Capelas, vai facilitar, em primeiro lugar, a circulação dos utentes e dos médicos num espaço hoje congestionado, mas também a criação de novas valências, nomeadamente uma área intermédia. “Hoje, temos só urgências e cuidados intensivos. Essa nova área intermédia vai ter nove camas, duas em isolamento”, explicou.

Graças à requalificação, o serviço vai também dispor de espaços diferentes para adultos, crianças e bebés, condição imposta pela “legislação em vigor”, disse ainda o responsável administrativo. 

Munido de serviço de urgência médico-cirúrgica — a categoria imediatamente abaixo dos ditos hospitais centrais, com serviço de urgência polivalente —, o hospital vimaranense recebeu, naquele espaço, uma média de 290 pessoas por dia, ao longo de 2018, e vai ter de atender os pacientes no decurso das obras. Para garantir o funcionamento do serviço, a administração do hospital criou uma comissão para acompanhar o acesso dos utentes ao hospital, durante a obra. “Desenhámos um plano de emergência interna, porque nem as obras, nem o serviço podem parar”, frisou Henrique Capelas. 

A obra vai colocar um ponto final num assunto falado desde o início da década, mas que só avançou desde Fevereiro de 2016, com a autorização do Conselho de Administração. Adjudicada mais de um ano depois, em Novembro de 2017, a intervenção foi autorizada pelo Governo, através de uma portaria publicada em Maio de 2018, mas encravou no Tribunal de Contas, que recusou o visto em Julho, face às dúvidas sobre a situação financeira do hospital. O órgão acabou por emitir o visto em Outubro, antes do hospital e da construtora assinarem o auto de consignação, já em Janeiro deste ano.

A obra fica ainda marcada pelo envolvimento da Câmara Municipal de Guimarães, que aprovou, em Julho de 2018, um apoio de cerca de 1,1 milhões de euros, um terço do valor da obra — o hospital contribuiu com 1,3 milhões de euros de capitais próprios e o Governo assegurou os restantes 900.000. O autarca Domingos Bragança justificou, à margem dessa reunião do executivo, o apoio com a “falta de condições” do serviço. Ao PÚBLICO, Henrique Capelas reconheceu que a verba da autarquia é fundamental, sobretudo para garantir que as várias fases da obra são cumpridas no prazo previsto. “Sem este dinheiro, teríamos de arranjar outra forma de financiamento para uma ou outra fase”, admitiu.