PSD quer ganhar balanço eleitoral sem dar destaque a Rangel

A reforma do sistema político e eleitoral ainda não tem propostas prontas e é um dos temas que estará em debate hoje.

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Convenção do Conselho Estratégico do PSD realiza-se no sábado LUSA/MANUEL FERNANDO ARAÚJO

É a primeira vez que os sociais-democratas vão poder ver o órgão criado por Rui Rio – o Conselho Estratégico Nacional (CEN) - a funcionar ao vivo e ao mesmo tempo. A convenção do CEN de hoje, em Santa Maria da Feira, promove 16 debates temáticos em simultâneo, tantos quantas as secções formadas, a que se soma uma comissão que trabalha a reforma do sistema político e eleitoral. Neste caso – como noutros temas – ainda não há propostas para apresentar. Com uma convenção do PS quase ao lado sobre europeias, o PSD fugiu a dar protagonismo ao seu cabeça-de-lista Paulo Rangel. O candidato estará presente e participa no debate sobre Europa, mas é o comissário Carlos Moedas que é orador na sessão de encerramento ao lado de David Justino, presidente do CEN, e do líder do partido.

Com Rui Rio nos cartazes a pedir contributos para o partido – há quem não esqueça que Manuela Ferreira Leite teve imagem idêntica em 2009 – é precisamente nos contributos de militantes e independentes que o PSD tem trabalhado desde a formação do CEN, há perto de um ano. Agora, é o momento de balanço desta espécie de gabinete-sombra do PSD para prosseguir a construção do programa eleitoral. 

No caso da reforma para o sistema político e eleitoral, o seu presidente, Pedro Rodrigues, ex-líder da JSD, tem percorrido o país a ouvir o que o partido tem a dizer sobre aquela que é uma bandeira de sempre de Rui Rio – a necessidade de uma “revolução” no sistema para revitalizar a democracia. Ainda não se chegou a uma proposta e a realização do CEN é mais uma oportunidade para a discussão. São convidados o ex-líder do CDS José Ribeiro e Castro (que tem uma proposta de reforma do sistema eleitoral) e o cientista político Pedro Magalhães. O outro debate sobre o mesmo tema será protagonizado por Paulo Mota Pinto, presidente da mesa do Conselho Nacional do PSD, e por Hugo Carvalho, presidente do Conselho Nacional de Juventude.

Esta comissão herdou as propostas de alteração aos estatutos do partido (que incluem o funcionamento interno) mas tem tudo em aberto. Ainda esta quinta-feira, Rui Rio disse ser favorável a legislaturas de cinco anos por considerar que quatro anos são um período “curto”. É com o CEN que Rui Rio quer deixar a sua marca no PSD ao propor-se mobilizar militantes e simpatizantes. O programa eleitoral para as legislativas só estará pronto em Junho ou Julho.