CDS alerta que fim da ADSE atingirá os que “menos têm”

Presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada satisfeito com declarações de primeiro-ministro no sentido do diálogo.

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LUSA/RODRIGO ANTUNES

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, alertou esta quinta-feira para as consequências de um “esvaziamento” da ADSE, subsistema de saúde dos funcionários públicos, ao dizer que a situação vai levar a “menos qualidade de saúde [no Serviço Nacional de Saúde]” e que vai atingir os que “menos têm”.

A líder dos centristas falava no final de uma reunião com o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Óscar Gaspar, no Parlamento, a propósito da intenção de grupos privados de terminarem as convenções com a ADSE.

Assunção Cristas acusa o Governo das “esquerdas unidas” de estar “interessado em destruir a ADSE” ao “pôr em causa os portugueses que descontam” para este subsistema e ao mesmo tempo “engrossar as filas” do Serviço Nacional de Saúde. Criticando as “esquerdas unidas” de verem “o filme ao contrário”, a líder do CDS alerta que alguns dos funcionários públicos poderão vir a contratar seguros privados e que quem não tem possibilidades de o fazer “vai ficar reduzido ao SNS”, defendendo que o sistema deveria ser aberto a todos os utentes.

No final da reunião com o CDS e com deputados do PSD (que neste caso optou por não prestar declarações aos jornalistas) Óscar Gaspar foi questionado sobre às declarações desta tarde do primeiro-ministro sobre o impasse na ADSE e reagiu de forma optimista. “Foi uma intervenção positiva do primeiro-ministro e veio na linha dos últimos dias como as declarações do Presidente da República no sentido do diálogo”, disse Óscar Gaspar, acrescentando: “O que nós não sentíamos era vontade de negociar”.

O dirigente colocou como um dos pontos centrais nas negociações a revogação do princípio das regularizações e um entendimento sobre uma convenção “equilibrada”. Quanto à devolução de 38 milhões de euros exigida pela ADSE por parte de hospitais privados, Óscar Gaspar defende que “a questão tem de ser discutida”, já que “não é pensável que tenha de se restituir” valores que correspondem a preços que em alguns casos estão “abaixo” do custo.