Guerra no Iémen: democratas votam contra apoio dos EUA à Arábia Saudita

Decisão da Câmara dos Representantes poderá provocar o primeiro veto do Presidente, Donald Trump.

Foto
Homem retira criança de um bombardeamento saudita em Sanaa Khaled Abdullah/REUTERS

A Câmara dos Representantes aprovou nesta quarta-feira uma resolução que acabaria com o apoio norte-americano à coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen, no que poderá levar ao primeiro veto presidencial de Donald Trump.

Esta foi a primeira vez que a Câmara dos Representantes invocou esta resolução sobre poderes de guerra. Aprovada em 1973, esta resolução impede que o Presidente envie tropas para conflitos no estrangeiro sem a aprovação do Congresso.

A votação, 248-177, teve praticamente os congressistas do Partido Democrata a favor e os do Partido Republicano contra, diz a agência Reuters. Apenas 18 republicanos se juntaram aos 230 democratas contra o apoio aos sauditas.

A resolução pretende impedir o apoio norte-americano à coligação liderada pela Arábia Saudita. Este apoio inclui o reabastecimento de aviões em missões na guerra civil do Iémen.

A guerra no Iémen, que dura há quatro anos, está a causar a maior crise humanitária actual, e há suspeita de crimes de guerra quer por parte das forças lideradas pela Arábia Saudita que apoiam o governo derrubado, com a ajuda do Irão, quer por parte dos rebeldes hutis, apoiados por Teerão.

A ideia é fazer chegar uma mensagem forte a Riad não só sobre o desastre humanitário no Iémen, mas também sobre o assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi, no consulado saudita em Istambul (um caso em que as autoridades sauditas já confirmaram a morte, embora o corpo do jornalista não tenha ainda aparecido).

A Administração Trump, e muitos republicanos no Congresso, alegam que a resolução não se aplica, porque os EUA não estão a participar com tropas de combate e apenas reabastecem aviões e dão apoio logístico.

O Senado deverá agora votar esta resolução dentro de um mês. Uma versão anterior foi aprovada pelo Senado em Dezembro, mas não foi levada à Câmara dos Representantes, então com maioria republicana; apenas depois de os democratas terem conseguido a maioria após as intercalares de Novembro e tomado posse a 3 de Janeiro. O Senado tinha maioria republicana e aumentou-a.

Alguns senadores republicanos justificaram o voto anterior pelo facto de não terem tido a possibilidade de ouvir a directora da CIA, Gina Haspel, sobre o caso Khashoggi (a CIA diz que o jornalista terá sido morto a mando do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, o Presidente, Donald Trump, duvida e diz que em qualquer caso isso não o fará quebrar a aliança com o regime saudita). 

Se o voto do Senado for favorável, é provável um veto do Presidente, o que ocorreria pela primeira vez no mandato de Trump.