Pelos caminhos do Centro de Portugal

Faça-se à estrada e aventure-se pelo Centro de Portugal numa roadtrip de três dias. Temos duzentos quilómetros de Património da Humanidade para conhecer, gastronomia regional para provar e um amor para reviver.

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Dia 1: Tomar
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Dia 1: Coimbra
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Dia 2: Alcobaça
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Dia 2 e 3: Batalha
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Dia 2 e 3: Batalha

Dia 1: de Tomar a Coimbra

O dia começa cedo. Estamos a fugir à rotina, pela fresca, numa manhã soalheira de Inverno. A mente sossega a caminho de Tomar, um dos lugares mais importantes da história templária do mundo, onde encontra a Igreja de São João Baptista praticamente intacta. Mas já lá vamos. O ritmado badalar do sino substitui o som do despertador e chama à atenção para o Convento de Cristo. A visita guiada começa pela Charola dos Templários. Pare e deixe-se deslumbrar pela beleza majestosa que o circunda. As notificações, as reuniões do trabalho e a azáfama do dia-a-dia perdem toda a importância neste oratório privativo. Razão suficiente para, em 1983, ser um dos primeiros locais portugueses a receber a distinção de Património da Humanidade pela UNESCO. Daí nasceram muitas outras classificações ao longo dos anos, mas não há amor como o primeiro. Depois de uma breve passagem pelo Claustro principal, aprecie a famosa Janela do Capítulo. Reconhece o estilo manuelino? O próprio Castelo conta na primeira pessoa a influência da ordem de Gualdim Pais, fundador e povoador da cidade de Tomar imortalizado na Praça da República, no centro da cidade. 

Encontrou a estátua de Gualdim Pais? Ao lado está a Igreja de S. João Baptista que sofreu uma reconstrução em meados do século XIV — um ponto de paragem obrigatório na nossa visita. É esta praça que, de quatro em quatro anos, recebe a famosa Festa dos Tabuleiros (e este ano já tem data marcada para 29 de Junho) onde se celebra a distribuição pelos pobres de pão benzido, carne e vinho. E por falar em pão, o almoço está quase a sair do forno de lenha da D. Maria do Céu, a famosa cozinheira do restaurante Chico Elias, que mantém o tempero – e a originalidade - desde o primeiro dia. A carta é apresentada num álbum de fotografias, e é obrigatório fazer encomenda dos pratos com um dia de antecedência — especialmente da lampreia e do sável. Mas há mais para provar. Do coelho na abóbora ao cabrito no forno, pode ainda aventurar-se por uma odisseia de sabores com o delicioso bacalhau com carne de porco. Guarde-se para a sobremesa na pastelaria Estrelas de Tomar. Fatias de Tomar ou Beija-me Depressa? Esqueça a dieta e peça os dois para levar. Saboreie-os durante um tranquilo passeio pelo Jardim do Mouchão, contornado pelo Rio Nabão. A chave para recarregar energias - dizem - antes de voltar à estrada.

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Convento de Cristo, Tomar

A sonoridade da água dá lugar ao ruído do motor e dos pneus no asfalto, mas a beleza da paisagem tranquiliza o espírito. Coimbra é a segunda e última paragem do dia. A menos de uma hora de distância, o berço das mais queridas tradições de Portugal recebe-o com capa e batina. A Universidade de Coimbra Alta e Sofia, como a universidade mais antiga do país, honra a classificação de Património Mundial da Humanidade ao som da serenata. No total, são 31 edifícios distinguidos pela UNESCO que estão divididos em quatro núcleos: os colégios da Rua Sofia (onde a história da universidade começou), o Pátio das Escolas que guarda memórias da 1ª dinastia portuguesa, os edifícios da reforma pombalina e o complexo do Estado Novo na Alta de Coimbra. A visita guiada arranca na famosa Biblioteca Joanina, cujas paredes cobertas de estantes guardam um tesouro literário de valor incalculável, e prossegue pela Sala dos Capelos, também apelidada de Sala Grande dos Actos, onde viveu toda a primeira Dinastia Portuguesa. A visita ao Património Mundial do Centro de Portugal, acompanhada pela Turismo Centro de Portugal, termina na Igreja de Santa Cruz. Mas o apelo daquela que é a eterna cidade dos estudantes convida-nos a ficar mais um pouco e descobrir os encantos de Coimbra além da sua Universidade.

Para descansar da descida pelas ruas estreitas da Alta medieval, faça uma pausa no Café Santa Cruz — um espaço histórico onde os crúzios (deliciosos doces regionais com recheio de ovos e cobertos com amêndoa e açúcar em pó) foram reinventados. Ouça o murmúrio do vento por entre as colinas e visite o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova que guarda as relíquias da Rainha Santa Isabel. Os bilhetes estão disponíveis a partir dos 2€. Se preferir reviver o amor de Pedro e Inês, perca-se nos trilhos encantados do Jardim da Quinta das Lágrimas repletos de árvores centenárias, ruínas medievais, tanques e regatos. A lenda conta que o sangue derramado por D. Inês terá deixado uma mancha avermelhada nas pedras da Fonte das Lágrimas, visível ainda hoje. Em 1995, foi inaugurado o Hotel Quinta das Lágrimas onde está convidado a passar a noite (a partir de 115€). Procura uma opção mais acessível? O Hotel Oslo Coimbra fica a uma agradável caminhada de pouco mais de 10 minutos da Universidade e tem quartos disponíveis desde 71€ por noite. Recupere o fôlego enquanto aprecia a paisagem privilegiada para a cidade de Coimbra. Por aqui, é fácil esquecer-se da azáfama do dia-a-dia.

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Universidade de Coimbra Alta e Sofia

O dia já escureceu. Vamos jantar? O Refeitro da Baixa fica perto, a menos de dez minutos. Reserve a mesa junto à lareira e, enquanto desfruta de um polvo ao alho com batata-doce, assista ao vivo à arte do fabrico da loiça de Coimbra. Não termine a noite sem antes passar pela animada rua do Quebra-Costas ou pela Praça da República e brinde entre os estudantes. Amanhã a viagem continua.

Dia 2 e 3: de Alcobaça à Batalha

Acordamos cedo e voltamos à estrada. O novo dia começa a cem quilómetros de Coimbra. A boa notícia é que Os Lugares Património da Humanidade do Centro de Portugal encontram-se, na sua distância máxima, a pouco mais de uma hora entre si. Com uma das mais belas histórias de amor no pensamento, seguimos a caminho dos túmulos incompletos de D. Pedro e D. Inês de Castro no Mosteiro de Alcobaça. Um dos aspectos mais impressionantes deste monumento é a nave central, simples e pouco ornamentada, mas, ao mesmo tempo, majestosa e imponente. Um exemplo notável da arquitectura de Cister, seguido do Mosteiro de Cós, que também deve conhecer. Neste último caso, a capela-mor foi concluída em 1675 e, no ano seguinte, procedeu-se à montagem do altar de talha dourada. As visitas guiadas são gratuitas e imperdíveis. Inspire e expire o ar desta região com quase 900 anos de história. Sabe bem, não sabe?

Abra os olhos, vamos continuar a aventura a recriar a forma de viver dos monges da Ordem de Cister no Parque dos Monges. A entrada custa 9,5€. O Restaurante António Padeiro fica responsável por lhe aconchegar o estômago, com a emblemática perdiz na púcara (ou frango, se preferir). Para o lanche nada como a doçaria conventual da premiada Pastelaria Alcôa. Há opções para todos os gostos: das famosas Cornucópias à abençoada Coroa da Abadessa, passando pelo tradicional Pudim de São Bernardo, a escolha não é fácil.

Não se vá embora sem antes visitar a famosa loja Made in Alcobaça com vestuário e decoração feitos com a Chita de Alcobaça — um tecido de algodão estampado originário da Índia, que foi trazido para a Europa pelos portugueses no século XV. Ah, e claro, sem comprar umas das cestas de junco. A despedida faz-se com um brinde (leia-se digestivo). Prove a Ginja de Alcobaça - mas só um copo porque temos de voltar à estrada.

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Mosteiro de Alcobaça

Em menos de meia hora, chegamos à Batalha. Um concelho intimamente relacionado com a fundação da nacionalidade onde a história se cruza com as mais belas paisagens verdejantes. O Mosteiro de Santa Maria da Vitória rouba todas as atenções e celebra o triunfo dos portugueses sobre os castelhanos na Batalha de Aljubarrota. Comece por observar o pórtico da fachada principal e o seu trabalho escultórico com mais de 70 figuras representadas. Se olhar para cima, pode contemplar a rosácea. Já no Claustro Real deixe-se fascinar pela exuberante decoração manuelina e aproxime-se da Fonte dos Frades que testemunha os rituais diários dos dominicanos. Entre na Sala do Capítulo e não perca a cerimónia de render da guarda - sempre à hora certa. Termine nas Capelas Imperfeitas, onde encontra um impressionante portal.

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Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha

De seguida, parta à descoberta da Adega Cooperativa da Batalha onde pode provar os néctares da região. E porque não aventurar-se pelo percurso “Buraco Roto” que se inicia e termina no Largo da Fonte? Demora cerca de 2h30, mas vale cada passo. Prossiga a visita pela estrada inicial, no sentido de São Mamede, com destino à antiga Aldeia da Pia do Urso. Nem aos olhos cansados o magnífico restauro das habitações é indiferente. Aqui está também instalado o primeiro Ecoparque Sensorial do país. Renda-se à paisagem e à vegetação única que este local lhe oferece.

O pôr-do-sol convida-o a regressar à vila. O jantar está reservado no Restaurante Vintage para desfrutar dos sabores serranos tradicionais: morcela de arroz para prato principal e cavacas do Reguengo do Fetal ou Pudim da Batalha à sobremesa. Depois de uma boa noite de descanso, no Hotel Lis Batalha Mestre Afonso Rodrigues (desde 68€) ou no Hotel S. Jorge (a partir de 30€), terá muito mais energia para descobrir as Grutas da Moeda, uma das maravilhas do subsolo da região. Atire uma moeda e deseje voltar. Na maior e mais diversa região turística de Portugal, as boas experiências nunca acabam.

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A operação Lugares Património Mundial do Centro é promovida e coordenada pela Turismo do Centro de Portugal em colaboração com os municípios de Alcobaça, da Batalha, de Coimbra e de Tomar, a Universidade de Coimbra e em parceria com o Ministério da Cultura, através da Direcção Geral do Património Cultural e da Direcção Regional de Cultura do Centro.