Marcelo insiste na "mudança na cultura cívica" para combater a violência de género

Mais do que alterar leis, é urgente mudar mentalidades, lembrou o Presidente da República durante a apresentação do estudo As mulheres em Portugal, hoje: quem são, o que pensam e como se sentem, da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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LUSA/JOÃO RELVAS

Portugal tem um problema de violência doméstica em relação ao qual "importa arrepiar caminho" para que se possa "inverter a trajectória". E antes mesmo de pensar na actuação no plano legislativo, é urgente uma "mudança na cultura cívica", defendeu nesta terça-feira Marcelo Rebelo de Sousa durante a apresentação do estudo As mulheres em Portugal, hoje: quem são, o que pensam e como se sentem, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Lisboa.

O Presidente da República lembrou que este combate deve ser feito "sem preconceitos nem estereótipos". Além disso, defendeu, "vivemos em democracia e isso significa liberdade". "Atenta contra a dignidade da pessoa humana, considerar-se como exercício dessa liberdade a aceitação ou legitimação da violência contra a mulher porque é mulher."

Essa mudança cultural é também necessária entre as gerações mais jovens para combater a violência no namoro. 

Actualmente, "não entender o papel crucial da mulher na construção da paz, justiça, desenvolvimento local, nacional, continental e universal é não entender nada do que é a promoção da dignidade da pessoa humana no futuro".

A propósito do estudo coordenado pela especialista em market intelligence Laura Sagnier divulgado esta terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que "as mulheres estão em maioria na sociedade" em termos de escolaridade obrigatória, ensino superior e presença no mercado de trabalho.

"Mas a promoção da cultura de partilha de responsabilidades entre homens e mulheres e conciliação de vida profissional e do trabalho continuam a ser, juntamente com a chocante diferença salarial, preocupações que não podemos ignorar ou esquecer. Enquanto sociedade temos de corrigir estes desequilíbrios."

Uma das principais conclusões deste estudo tem a ver com a situação em que vivem as mulheres portuguesas que é “insustentável a vários níveis”. Como profissionais, ganham menos do que eles e mais de metade (51%) declaram-se infelizes com o trabalho pago.

Dez anos de Fundação Francisco Manuel dos Santos

O trabalho sobre as mulheres em Portugal foi apresentado no mesmo dia em que se assinalam os dez anos da Fundação Francisco Manuel dos Santos

Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para salutar o trabalho da fundação, que construiu um "fundamental acervo documental e de factos" de acesso livre e directo. E que contribui para confrontar "desinformação e realidades ditas alternativas". E mais elogios: "A fundação dá significado à expressão responsabilidade social, dando visibilidade aos mais variados temas."