Sem Neymar e Cavani, o plano D do PSG em Old Trafford foi Di María

Triunfo dos parisienses por 0-2 em Manchester na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Foi a primeira derrota de Solskjaer desde que substituiu Mourinho nos red devils

Mbappé marcou o segundo golo do PSG
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Mbappé marcou o segundo golo do PSG Reuters/JASON CAIRNDUFF

Parece que foi há uma eternidade, mas não foi assim há tanto tempo. Em 2014-15, Ángel di María foi o dono da camisola 7 do Manchester United, o número reservado aos maiores artistas dos “red devils” e que já esteve nas costas de George Best, David Beckham e Cristiano Ronaldo. O argentino nunca foi aquilo que o United precisava que ele fosse e, passada apenas uma época, foi “despachado” com prejuízo para o Paris Saint-Germain. Quatro anos depois, o argentino voltou a Old Trafford para se vingar. Foi do seu pé esquerdo que saíram as assistências para os golos parisienses no triunfo por 0-2 na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, uma vantagem importante para o segundo jogo do confronto, marcado para 6 de Março, no Parque dos Príncipes.

O PSG apresentava-se no Teatro dos Sonhos sem dois terços do seu maravilhoso trio atacante. Tinha o jovem Kylian Mbappé, mas faltavam-lhe Neymar e Cavani, ausências que o United, a viver uma autêntica lua-de-mel com o seu interino Ole Gunnar Solskjaer, poderia aproveitar. Mas o norueguês, que levava dez vitórias e um empate desde que substituiu José Mourinho no comando técnico, não conseguiu desta vez inspirar os “red devils” para mais um triunfo. Pelo contrário, foi um PSG aparentemente debilitado que levou a melhor, dando razão ao alemão Thomas Tuchel quando dizia que, com tantas ausências, teria de recorrer ao plano D em Old Trafford. D de Di María.

Não se passou muito na primeira parte que valha a pena contar. Algumas acelerações do ataque visitante com aproximação perigosa à baliza de De Gea, mas sempre em fora-de-jogo — se a bola entrasse na baliza, por certo o videoárbitro, em estreia na Champions, iria anular. O mais relevante foi mesmo a inoperância ofensiva quase total da equipa da casa, tanto que o United que entrou para a segunda parte tinha uma frente de ataque renovada em dois terços — Alexis Sánchez e Juan Mata para os lugares de Jesse Lingard e Anthony Martial.

As mudanças no ataque nada fizeram pelo United e o PSG rapidamente assumiu o controlo do jogo. Aos 53’, Mbappé cabeceou com muito perigo para uma defesa de De Gea e, no canto que se seguiu, Di María meteu a bola na pequena área para a finalização com o pé do central Kimpembe. O United não teve resposta à altura para o PSG e, sete minutos depois, o marcador voltou a funcionar para os visitantes, com um contra-ataque rápido que acabou com a concretização de Mbappé após um cruzamento rasteiro vindo directamente do pé esquerdo de Di María.

Se este fosse o United de há 20 anos, seria o momento de Alex Ferguson (que estava na bancada) meter em campo Solskjaer, a contar com os golos milagrosos do norueguês que tantas vitórias (incluindo uma final da Champions) deram aos “red devils”. Em 2019, o Solskjaer-treinador não teve solução para dar a volta ao jogo ou, pelo menos, minorar os estragos numa eliminatória que está a pender muito para o lado dos milionários parisienses. Como se não bastasse, o Manchester United ainda perdeu o francês Paul Pogba, expulso por acumulação de amarelos, aos 89’, para o jogo da segunda mão.