O melhor United da época contra o plano D do PSG

Os "red devils" de Solskjaer recebem em Old Trafford uma equipa parisiense sem Neymar e Cavani, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

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Reuters/JASON CAIRNDUFF

O Manchester United-PSG desta terça-feira em Old Trafford, a contar para a primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, é a prova de que no futebol tudo pode mudar em menos de dois meses. Senão, vejamos: quando o sorteio de 17 de Dezembro os emparelhou, o PSG era o favorito de toda a gente e o United era aquela equipa à beira do abismo e quase a dar o passo em frente. Mas já não é bem assim. Os parisienses estão a dar sinais de vulnerabilidade (e não têm Neymar nem Cavani), enquanto os “red devils” estão com a confiança a níveis estratosféricos e prontos a resgatar um estatuto europeu que se foi degradando nos últimos anos, desde que Alex Ferguson se reformou.

Um dia depois do sorteio, José Mourinho deixou de ser treinador do United e deu lugar a Ole Gunnar Solskjaer. O maior elogio que se pode fazer ao antigo avançado norueguês é que, com ele no banco, a equipa de Manchester ganhou dez jogos e empatou apenas um, para além de ter recuperado para a vida futebolística jogadores como Paul Pogba ou Anthony Martial. Talvez já seja tarde para ter uma palavra a dizer na Premier League (está a 14 pontos da liderança), mas a Champions pode bem ser a porta para a redenção do United esta época. E Solskjaer acredita nisso.

“Esta equipa é capaz de ganhar a qualquer adversário, mas não podemos olhar demasiado para a frente. Temos de olhar para o PSG e garantir que passamos esta eliminatória e assumir o desafio seguinte seja ele qual for. O que eu digo aos rapazes é: se trabalharmos todos os dias, vamos melhorar e ainda podemos surpreender muitas equipas”, diz o técnico norueguês, que já venceu a Champions pelo United em 1999, naquela memorável final contra o Bayern em que marcou o golo da vitória. Chamado de emergência para ser o interino, Solskjaer tem respondido da melhor maneira: “Não podíamos estar melhor. Tenho adorado todos os minutos. Sabíamos que era um desafio muito grande. Estávamos muito distantes da frente no campeonato e a moral estava em baixo depois de Liverpool, mas eles têm respondido muito bem.”

Se o United está no melhor momento da época, o regresso da Champions não podia ter chegado em pior momento para o PSG. A formação orientada por Thomas Tuchel tem sobrevivido relativamente bem na Ligue 1 (prova na qual perdeu há uma semana pela primeira vez) e está bem encaminhada para renovar o título de campeã – tem dez pontos de vantagem sobre o Lille e menos dois jogos disputados.

Mas a “epidemia” de lesionados pode ser decisiva para as aspirações do PSG, que investe como poucos para poder ser considerada uma equipa com “pedigree” internacional. Se as coisas já estavam más por causa da ausência prolongada de Neymar por lesão, os parisienses também não podem contar com Edison Cavani, lesionado durante um jogo com o Bordéus, para além não terem Marco Verratti e Thomas Meunier – Rabiot, colocado à margem por não querer renovar contrato, já voltou a treinar-se com a equipa. “Sem o Ney, talvez sem o Marco e sem o Edi, agora precisamos de um plano D”, lamentava Tuchel, que terá de "inventar" bastante para compor uma equipa à volta do jovem Mbappé.