Mais de 45 mil subscreveram abaixo-assinado para recuperar tempo de serviço docente

Abaixo-assinado foi lançado em Janeiro. Sindicatos de professores iniciam nesta segunda-feira ronda com líderes partidários.

Professores em protesto pela recusa do Governo em contar todo o tempo de serviço congelado
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Professores em protesto pela recusa do Governo em contar todo o tempo de serviço congelado daniel rocha

Mais de 45 mil pessoas subscreveram o abaixo-assinado lançado no início de Janeiro pelos sindicatos de professores a exigir a contagem dos nove anos, quatro meses e dois dias em que o seu tempo de serviço esteve congelado, segundo indicou nesta segunda-feira a plataforma sindical que tem negociado com o Governo.

"Os professores e as suas organizações sindicais exigem a abertura imediata de negociações, continuando a correr nas escolas um abaixo-assinado que, a duas semanas de ser entregue, já conta com mais de 45 mil assinaturas. Nesse abaixo-assinado, os professores e educadores manifestam, ainda, o seu acordo com a proposta apresentada pelos seus sindicatos ao governo", referem em comunicado.

No abaixo-assinado, os professores e educadores "rejeitam ser discriminados" e recusam um tratamento "diferente do que é dado à generalidade dos trabalhadores da Administração Pública e aos seus colegas das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores".

Exigem a recuperação total do tempo de serviço cumprido nos períodos de congelamento - 9 anos, 4 meses e 2 dias -- estando disponíveis para uma recuperação de forma faseada, à semelhança do que vai acontecer com os docentes da Região Autónoma da Madeira.

No documento defendem ainda que os professores podem optar por usar o tempo a recuperar para efeitos de aposentação.

A plataforma volta a criticar o Governo por ainda não ter iniciado o processo negocial, temendo mesmo que "tendo em conta declarações recentes do primeiro-ministro", haja do lado do Governo a "intenção de nada negociar até final da legislatura, preparando-se para destruir a carreira docente, caso, após as eleições de Outubro, tenha condições políticas para tal".

Perante este cenário, os professores alertam que "vão levar por diante uma luta que, tendo em conta o desenvolvimento do ano lectivo, irá cair num momento que será muito crítico para as escolas e para os alunos".

Para discutir esta matéria, a plataforma sindical reúne-se nesta segunda-feira com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, tendo ainda agendada para quarta-feira uma outra reunião com a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins e outra com o presidente do PSD, Rui Rio.

Nos dias 14 e 15, os docentes juntam-se à greve nacional dos trabalhadores da Função Pública, estando agendado para sexta-feira uma concentração em frente ao Ministério das Finanças, em Lisboa.