Crónica de jogo

A Taça pode estar no autocarro, mas a equipa ainda anda meio perdida

O Sporting venceu neste domingo o Feirense no regresso às vitórias fora de casa no campeonato da equipa “leonina”, o que não acontecia desde o início de Dezembro.

Bruno Fernandes marcou dois golos
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Bruno Fernandes marcou dois golos LUSA/JOSÉ COELHO

A Taça da Liga, ganha após duas vitórias no desempate por penáltis, pode estar no autocarro do Sporting, mas a equipa “leonina” está ainda um pouco perdida. Depois de um início empolgante, o Sporting de Marcel Keizer tem vindo a perder qualidade. Neste domingo, apesar do triunfo folgado dos “leões” por 3-1 contra o Feirense - último da classificação, que estreou um novo treinador e que não é capaz de vencer um jogo desde Agosto do ano passado - não se notaram assim muitas diferenças entre as duas equipas. Sintomático….

Uma decisão, no mínimo, controversa do árbitro, que anulou um golo aos “fogaceiros” após visualizar as imagens televisivas do VAR, e um autogolo de um adversário em cima do intervalo ajudaram o Sporting a voltar às vitórias após cinco partidas sem ganhar nos 90 minutos. O resto fez Bruno Fernandes, um dos poucos fora-de-série desta equipa do Sporting, que depende do internacional português para quase tudo o que de bom faz.

Keizer queixa-se do cansaço dos jogadores, do excesso de jogos que eles têm nas pernas, mas o capitão sportinguista passa ao lado de tudo isso. É ele que constrói jogo a partir de trás, é ele que surge em zonas perigosas para finalizar e é ele o dono das bolas paradas quando a equipa as tem junto à área adversária: já o tinha provado na Luz, quarta-feira, e neste domingo voltou a fazê-lo ao marcar o terceiro golo “leonino”, de livre.

Com o peso de saber que o rival lisboeta tinha alcançado um resultado histórico poucos minutos antes e sabendo à partida que, mesmo ganhando, não iria conseguir recuperar terreno para os que estão imediatamente à sua frente, o Sporting tinha a motivação de, ao derrotar o último, diminuir um pouco a diferença para o líder FC Porto.

Mas o início do jogo mostrou um Sporting lento, e sem ideias, que se limitava a dar a bola a Bruno Fernandes, à espera que o médio fizesse magia. E o Feirense foi acreditando. Chegou mesmo a marcar, sendo o lance invalidado pelo árbitro sem se perceber porquê (após um canto, Renan desviou a bola contra as costas de um adversário, fazendo com que ela entrasse na baliza).

A tudo isto o Sporting reagiu com um remate de Bas Dost, aproveitando um mau alívio da defesa do Feirense, bem defendido por André Moreira. Mas foi novamente junto da baliza de Renan que surgiu perigo, com o guarda-redes brasileiro a salvar ainda a equipa uma segunda vez, com uma defesa “in-extremis”.

Até que, já muito perto do intervalo, um contra-ataque rápido, dos poucos que o Sporting conseguiu montar, chegou a Borja, que cruzou, levando a bola a desviar em Wendell e a tocar em Briseño, que fez um autogolo.

Na segunda parte, entrou em acção Bruno Fernandes. Incansável, surgiu a cabecear para o 2-0 aos 58’, antecipando-se ao seu marcador directo e, dez minutos depois, no tal livre, sentenciou a partida, convertendo o castigo de forma exemplar.

O Sporting tinha o triunfo na mão e até parecia estar em condições de, pela primeira vez, desde há 21 jogos chegar ao fim do encontro sem sofrer um golo fora de portas num jogo do campeonato. Mas este Sporting de Keizer, continua sem ser capaz de fechar a sua baliza e o avançado búlgaro Petkov, no último quarto de hora de jogo, aproveitou um mau alívio dos centrais “leoninos”, marcando o golo de honra do “lanterna vermelha” do campeonato.

O jogo já não teria mais história, mas esta equipa do Sporting ainda não se encontrou plenamente e as lesões parecem não ser explicação para tudo.