Este Das Boot não anda só debaixo de água

O remake/sequela/reboot televisivo do filme de Wolfgang Petersen estreia neste domingo no AMC.

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Das Boot, o épico claustrofóbico de Wolfgang Petersen feito em 1981 sobre um submarino alemão durante a II Guerra Mundial, não seria o candidato mais óbvio à reciclagem, fosse em cinema ou televisão, até porque de vez em quando lá aparece mais um “Director’s Cut” (ou um “Final Cut”, um “Ultimate Cut”, e por aí fora) com alguns minutos inéditos em relação à versão anterior. Uma dessas versões foi transformada numa série de televisão de seis episódios, mas não é isso que vamos ver a partir deste domingo (22h10) no canal AMC. É uma nova versão que, usando os chavões náuticos, navega por outras águas, passa muito tempo em terra e, mais importante que tudo, não vai ao fundo.

Antes de dar um filme em 1981 (que teve em Portugal o desnecessariamente longo título “A Odisseia do Submarino 96”) e uma série de televisão em 2018 (estreou na Alemanha há um ano), Das Boot foi um relato autobiográfico e ficcionado de um fotógrafo alemão sobre a sua experiência a bordo de um U-boot da Marinha do III Reich durante a guerra – o livro foi um best seller e o filme um sucesso, tendo sido nomeado para seis Óscares. Esta nova versão, uma produção germânica de 25 milhões de euros com elenco internacional e falado em três línguas, até foi produzida pelo mesmo estúdio (Bavaria Films) e foi filmada em alguns dos mesmos locais (como a antiga base naval alemã em La Rochelle), mas é muito mais que “40 homens, zero chuveiros e uma latrina” dentro de um submarino.

Este Das Boot é uma narrativa partilhada entre a tripulação do U-612, com o seu sensato mas inexperiente comandante (mas sem a mesma presença de Jürgen Prochnow no filme de Petersen), e uma base naval alemã na França ocupada. Tem a mesma componente claustrofóbica da vida nestes caixões subaquáticos, mas também respira ar fresco em terra com uma intriga de espionagem centrada numa tradutora com a lealdade dividida entre o Reich e a Resistência. E esta forte presença feminina também é uma novidade, não só em relação ao livro e ao filme, mas também em relação à esmagadora maioria das narrativas em tempo de guerra.