Marcelo diz que papel das Instituições Particulares de Solidariedade Social é “insubstituível”

“Não é uma questão ideológica, não é uma questão doutrinária, é puro realismo”, declarou no encerramento do XIII Congresso Nacional das Misericórdias Portuguesas. E apelou a “um amplo consenso” político para que a Lei de Bases da Saúde inclua o sector social como parceiro.

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Luis Forra/Lusa

Os idosos não podem ser “atirados para guetos, não podem ser esquecidos." E o papel das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) é “insubstituível”, pelo espírito de missão e compromisso com os mais desfavorecidos, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa neste sábado. A mensagem de reconhecimento e apoio ao sector da economia social foi deixada no encerramento do XIII Congresso Nacional das Misericórdias Portuguesas, realizado em Albufeira.

Marcelo Rebelo de Sousa apela a “um amplo consenso” político para que a Lei de Bases da Saúde inclua sector social como parceiro. Sobre o novo quadro normativo em fase de projecto, disse esperar que haja o reconhecimento  do papel “diferente” que é desempenhado por estas IPSS, não se confundindo com as funções desempenhadas pelo Estado e pelos privados. Cooperação para o bem comum? “Sem dúvida”, enfatizou.

Os problemas demográficos, acrescentou, “exigem que haja políticas atentas” às mudanças que estão a ocorrer na sociedade portuguesa. “Não é uma questão ideológica, não é uma questão doutrinária, é puro realismo”, sublinhou. 

A Confederação Portuguesa de Economia Social, de que as misericórdias fazem parte, deve adquirir a importância política correspondente à sua relevância social e política: “Espero que seja acolhida no Conselho Económico e Social, que seja possível obter o estatuto de parceiro ou interlocutor social", afirmou ainda.

Por seu lado, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel Lemos, fez saber: “Não aceitamos ser descartáveis." O que pretendem estas instituições, disse, não é serem concorrentes com sector publico: “Queremos ser parceiros”, enfatizou.

Marcelo Rebelo de Sousa, pegou na frase e rematou: “Espero não ter que recordar o vosso papel insubstituível." Por fim, depois de ouvir de Manuel Lemos o apoio à sua recandidatura, deixou a frase cair a frase que poderia ser um slogan de campanha: “Eu sou alguém que é sempre portador de esperança."

À saída do congresso, em declarações aos jornalistas, acrescentou que num país envelhecido, como o que os especialistas em demografia perspectivam, "vai ser preciso ter condições de acolhimento de uma população idosa cada vez mais numerosa, em que os hospitais públicos não devem servir para isso, porque têm outras prioridades, o sector privado não vai servir para isso, na grande maioria dos casos, e o sector social, também aí, é insubstituível".