Flávio Bolsonaro investigado por suspeita de lavagem de dinheiro

Depois do caso das transferências, o filho do Presidente brasileiro está envolvido em novas suspeitas investigadas pela justiça, estas ligadas à compra de imóveis abaixo do preço.

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Acumulam-se os casos que envolvem Flávio Bolsonaro Reuters/Adriano Machado

O senador Flávio Bolsonaro está a ser investigado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro num caso de compra de imóveis que pode constituir lavagem de dinheiro. A investigação juntou-se a outra já em curso que envolve transferências de dinheiro para um antigo assessor parlamentar e aperta o cerco judicial ao filho do Presidente do Brasil.

O Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro abriu uma investigação que visa analisar a aquisição por parte de Flávio Bolsonaro de imóveis em “negociações relâmpago” abaixo dos preços de mercado, segundo avançou o canal Globo na semana passada.

A investigação começou em Maio de 2018 e, inicialmente, foi levada a cabo pela justiça eleitoral, que procurava saber se a declaração de rendimentos do senador, que era então deputado estadual, apresentaria irregularidades face às aquisições dos imóveis. A Procuradoria Regional Eleitoral acabou por encaminhar o caso para a vara criminal, citando suspeitas de “aumento patrimonial exponencial” e “negociações relâmpago e extremamente lucrativas”, diz o portal G1.

As novas suspeitas juntam-se a outra investigação que envolve o filho mais velho do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Um relatório divulgado no mês passado pelo Conselho de Controle de Actividades Financeiras (Coaf) mostrava que dezenas de assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro fizeram transferências suspeitas de milhões de reais, incluindo um ex-colaborador de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz.

Ao longo de 2016, Queiroz movimentou 1,2 milhões de reais (280 mil euros), com alguns padrões suspeitos como depósitos consecutivos em poucos minutos. A grande suspeita é de que Queiroz – amigo próximo da família Bolsonaro – tinha como função receber parte do salário dos colaboradores de Flávio Bolsonaro que depois depositava em contas que acabariam por reverter para o senador, uma prática comum conhecida como “pedágio”. Uma das contas bancárias que recebeu transferências de Queiroz foi a da actual primeira-dama, Michele Bolsonaro, na altura assistente parlamentar.

Os casos que envolvem o primogénito de Bolsonaro têm sido descritos pelo próprio como uma perseguição política destinada a atingir o seu pai. No início do mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou um pedido feito por Flávio Bolsonaro para que não fosse aberta uma investigação sobre este caso, com a justificação de que como senador passou a gozar do chamado “foro privilegiado”, uma imunidade que permite que os detentores de alguns cargos públicos sejam julgados apenas pelo STF ou pelo Supremo Tribunal de Justiça.