Torne-se perito

Colóquio em Coimbra vai debater o legado de Amílcar Cabral

No ano em que se assinalam os 95 anos do seu nascimento, três projectos de investigação juntam-se para reflectir sobre Amílcar Cabral.

Foto
Amílcar Cabral num mural na Cova da Moura, na Amadora (Lisboa) Nuno Ferreira Santos

O Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra vai acolher, no dia 22, um colóquio em torno do combatente na luta de libertação e pensador Amílcar Cabral, abordando o seu legado, a sua acção política e o seu pensamento.

Intitulado "Figurações de Amílcar Cabral - memória, política e cultura", o colóquio vai reunir investigadores de três projectos de Coimbra e de Lisboa para reflectir sobre aquele que foi um dos fundadores do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e tido como um dos maiores vultos da luta anticolonial em África.

Para além da presença de vários investigadores no colóquio, o evento vai contar com a participação do ex-Presidente da República de Cabo Verde e presidente da Fundação Amílcar Cabral, Pedro Pires, que estará responsável pela conferência final.

O evento é organizado pelos projectos do CES MEMOIRS (Filhos do Império e Pós-Memórias Europeias) e do CROME (Memórias cruzadas, políticas do silêncio), bem como pelo projecto "Amílcar Cabral, da História Política às Políticas da Memória" da Universidade Nova de Lisboa .

No ano em que se assinalam os 95 anos do seu nascimento, os três projectos decidiram criar um momento para "uma reflexão" sobre Amílcar Cabral, que não se centra apenas na figura, mas nos anticolonialismos, na construção de nações e na forma como Portugal lida com o seu legado", entre outras questões, contou Miguel Cardina, um dos responsáveis pela organização do evento.

Para isso, o colóquio pretende abordar as diversas dimensões desta figura, seja o combatente ao colonialismo português ou a referência intelectual, com uma "obra que importa analisar e reflectir", vincou. A figura de Cabral "é fundamental" para Cabo Verde e para a Guiné-Bissau, mas é também "uma referência política mais vasta", seja no anticolonialismo ou na reflexão sobre o que é ser-se africano, disse o investigador.

A partir desta figura, o colóquio propõe-se a falar da "construção de uma filosofia africana", dos legados e heranças deste político, das suas múltiplas apropriações ou da sua presença na música popular cabo verdiana e no rap. "Vamos perceber como existem vários 'Cabrais', apropriados, reconstruídos", acrescentou Miguel Cardina.

O colóquio vai decorrer no CES, na Alta de Coimbra, durante todo o dia.