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Terapias alternativas, actividades inclusivas

A APPACDM Gaia promove, diariamente, a melhoria das condições de vida de centenas de pessoas com necessidades especiais. Muitas vezes, conquistar um resultado pode ser ver um sorriso num rosto.

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D.R.

“Há 46 anos a cultivar sorrisos”. O núcleo de Vila Nova de Gaia da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) dá apoio directo a cerca de 180 utentes com problemas de saúde mental e apoio indirecto a mais de 400 pessoas no concelho. Em estreita colaboração com o Município, a APPACDM é, também, responsável pela dinamização de algumas terapias alternativas que estimulam física e intelectualmente crianças e adultos com necessidades especiais. 

Com três centros no concelho, dois dos quais lares residenciais, a APPACDM de Gaia conta com uma equipa de 105 funcionários efectivos a trabalhar, diariamente, para proporcionar melhores condições de vida a estes “jovens”. “Jovens”, é assim que Joaquim Queirós, presidente da instituição, ternamente se refere aos utentes: “para nós, são todos jovens, alguns com mais de 60 anos”.

Para esta IPSS, tal como para todas, as sinergias são fundamentais. Especialmente nos casos dos utentes com patologias que impedem uma maior autonomia no dia-a-dia, todos os apoios são bem-vindos. Para as famílias, é essencial poderem contar com técnicos especializados. Para os “jovens” utentes da APPACDM, todas as actividades que lhes proporcionem melhores condições de vida e uma melhor integração na sociedade são fundamentais. “Temos o ‘know how’ necessário e os nossos técnicos, melhor do que ninguém, sabem o que deve ser feito”, assegura Joaquim Queirós, há mais de 18 anos na instituição e desde o início de 2015 enquanto presidente da direcção.

Sinergias, integração social e igualdade de oportunidades

Sobre este acompanhamento contínuo e essencial à vida destas pessoas, Joaquim Queirós destaca dois programas implementados em colaboração com a Câmara Municipal de Gaia: a integração de utentes em Centros de Actividades Ocupacionais e as iniciativas no âmbito do Gaia Aprende+(i). “Há quase 30 anos que, em parceria com o Município, temos utentes integrados nos chamados CAO socialmente úteis. No Parque Biológico de Gaia, temos cerca de 20 pessoas com deficiências não severas que têm capacidades para desenvolver determinado tipo de actividades”, afirma.​

Sobre o Gaia Aprende+(i), destaca, desde logo, o facto de ser direccionado para crianças tão novas. Com o propósito de promover a igualdade de oportunidades, independentemente da condição física e intelectual das crianças, o programa inédito, criado pela Câmara Municipal de Gaia com o apoio das IPSS do concelho, proporciona actividades únicas a cerca de 300 crianças com necessidades educativas especiais (NEE). Engloba actividades como a cinoterapia e a hipoterapia - terapias assistidas por animais - além do Karaté adaptado e da hidroterapia. Desde 2016 que a APPACDM dá apoio a algumas dessas actividades e assegura a dinamização dos períodos não lectivos no âmbito deste programa. O repto veio directamente do presidente da Câmara, que desafiou a instituição, como recorda Joaquim Queirós, a “tirar os miúdos com NEE das salas de ensino regular e desenvolver com eles outro tipo de actividades, mais úteis para a vida deles”. São os auxiliares da APPACDM que acompanham a hidroterapia, a hipoterapia e o karaté adaptado, por exemplo.

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A cinoterapia é uma das terapias utilizadas. D.R.

Quando um sorriso é sinónimo de resultados

Sobre os maiores desafios para a instituição, o presidente da APPACDM de Gaia não hesita quando refere a capacidade de adaptação e de inovação, independentemente da idade e do grau de incapacidade. “O que parece um passinho de pardal, o sorriso de um jovem no fim de uma actividade, é sinal de que realmente temos resultados”, refere Joaquim Queirós. Sobre terapias diferentes e com este tipo de resultados imediatamente visíveis, o Snoezelen despertou-nos especial curiosidade. Fomos espreitar uma sessão mas não sem antes o responsável nos alertar para o facto de a APPACDM contar com esta actividade há mais de quinze anos. “Na altura, era realmente inovador mas as nossas terapeutas são sempre dinâmicas e os utentes adoram o Snoezelen”, recorda. ​

O que é o Snoezelen?

Estimular os sentidos através de sons, luzes, texturas e suaves vibrações. Assim funciona uma sessão de Snoezelen. Esta técnica de relaxamento combina estímulos sensoriais através de alguns equipamentos mas recria, essencialmente, um ambiente calmo, onde o paciente se “desliga” do exterior e se concentra nos sentidos. Com efeitos transversais a todo o tipo de pessoas, com ou sem patologias, é muito utilizada em pacientes com paralisias profundas, doenças mentais ou distúrbios de comportamento.

PÚBLICO - O Snoezelen estimula os sentidos através de sons, luzes, texturas e suaves vibrações.
O Snoezelen estimula os sentidos através de sons, luzes, texturas e suaves vibrações. D.R.
PÚBLICO - Esta técnica de relaxamento combina estímulos sensoriais através de alguns equipamento.
Esta técnica de relaxamento combina estímulos sensoriais através de alguns equipamento. D.R.
PÚBLICO - No Snoezelen trabalha-se a comunicação não verbal através dos estímulos multi-sensoriais.
No Snoezelen trabalha-se a comunicação não verbal através dos estímulos multi-sensoriais. D.R.
PÚBLICO - Sofia Pinho é a responsável pelas sessões de Snoezelen.
Sofia Pinho é a responsável pelas sessões de Snoezelen. D.R.
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Sofia Pinho, terapeuta ocupacional e responsável pelas sessões de Snoezelen na APPACDM de Gaia, começa por esclarecer que, muitas vezes, há patologias semelhantes com défices diferentes: “Cada patologia é uma patologia, cada défice é um défice e, por isso surgem diferentes estímulos e diferentes formas de aplicá-los”. É um trabalho feito individualmente, de acordo com as características de cada utente.

Joana (nome fictício) tem uma deficiência intelectual moderada que a impede de comunicar verbalmente. Nas sessões de Snoezelen trabalha a interacção com o outro e a comunicação não verbal através dos estímulos multi-sensoriais. “Para nós, é uma terapia mas para eles não”, assegura a terapeuta. Nas primeiras sessões, são apresentados os diferentes materiais e o utente é convidado a escolher e a interagir. Trabalham-se emoções e conquista-se auto-estima e auto-controlo. No final, de dentro da sala para fora da sala saem... sorrisos. E esses sorrisos espelham pequenas conquistas no dia-a-dia destas pessoas.