Berlinale 2019, Dieter diz adeus (e Agnès diz olá!)

Dieter Kosslick, que dirige o festival desde 2001, vai deixar o cargo – será substituído no próximo ano –, e na programação destaque para Agnès Varda, que estreia fora de concurso o seu autobiográfico Varda by Agnés.

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Varda by Agnés de Agnès Varda dr
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Dieter Kosslick LUSA/HAYOUNG JEON
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2019, ano 69 da Berlinale, é um ano estranhamente discreto para o festival alemão em termos de programação: sem grandes “máquinas” americanas na selecção (a excepção é Vice, de Adam McKay, que passa fora de concurso) e com uma grande quantidade de habitués que (já) não são nomes de primeira grandeza, ou que nunca o foram (Agnieszka Holland, Isabel Coixet, Fatih Akin, Zhang Yimou). É uma edição que parece justificar a decisão de Dieter Kosslick, que dirige o festival desde 2001, de deixar o cargo – será substituído, a partir de 2020 e do 70.º aniversário, por Carlo Chatrian, vindo de Locarno.

Nos seus 18 anos de direcção, Kosslick soube tornar o festival um gerador de cobertura mediática e de receitas, mas não pôde travar os problemas inerentes a um circuito de festivais cada vez mais competitivo, e foi muitas vezes acusado de diluir a competição principal com filmes pouco inspiradores. Se a paralela Forum manteve o seu papel de farol da modernidade do novo cinema, e se o Mercado Europeu do Filme se tornou um pólo negocial importante, Berlim procurou um meio caminho entre o populismo e o cinema de autor, navegando à vista e safando-se melhor consoante os anos, mas sem conseguir resistir ao esvaziamento da produção americana (virada cada vez mais para si mesma e para os Óscares e a preferir Toronto e Sundance) nem garantir os autores pesos-pesados europeus (que preferem esperar por Cannes).

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No entanto, a simples quantidade de filmes apresentados significa que haverá descobertas a fazer. Menos na competição, onde ainda assim encontramos o israelita Nadav Lapid, de O Polícia, com Synonymes, e nomes reverenciados do cinema de autor como a alemã Angela Schanelec ou o canadiano Denis Côté; mais nas paralelas não competitivas, com destaque para Agnès Varda, que estreia fora de concurso o seu autobiográfico Varda by Agnés, ou para a apresentação europeia de Amazing Grace, o registo do lendário concerto gospel de Aretha Franklin. Há uma fortíssima presença brasileira que inclui o novo Gabriel Mascaro, Divino Amor, Querência de Helvécio Marins Jr., A Rosa Azul de Novalis de Gustavo Vinagre, ou Marighella de Wagner Moura com Seu Jorge. E um dos filmes mais badalados deste início de ano, The Souvenir da britânica Joanna Hogg, ao qual a crítica anglófona se rendeu em Sundance. Exactamente o tipo de filmes que Berlim podia puxar à competição principal. Cá estaremos para fazer o balanço do adeus de Dieter.