Crónica de jogo

Bruno Fernandes manteve o Sporting vivo na Taça

Benfica voltou a dominar e a vencer o rival de Lisboa, desta vez por 2-1, mas um grande golo do capitão sportinguista deixa o emblema de Alvalade com esperanças para o jogo da segunda mão.

Jogadores do Benfica festejam um dos golos contra o Sporting
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Jogadores do Benfica festejam um dos golos contra o Sporting LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

Depois do que acontecera no domingo, havia muita expectativa para saber se seria tão acentuada a diferença de valores entre Benfica e Sporting. A resposta não é fácil, mas aqui fica: sim e não. Sim, o Benfica foi superior e venceu com justiça. Não, o Sporting não foi tão inferior ao seu “velho” rival de Lisboa. Os “encarnados” triunfaram por 2-1 na Luz sobre os “leões”, mas esta meia-final da Taça de Portugal está longe de estar resolvida. Um golaço de Bruno Fernandes deixou o Sporting vivo e, daqui a dois meses, saberemos o desfecho.

Para o terceiro derby da temporada, o segundo em quatro dias, mudou quem precisava de mudar mais. Keizer deixou de foram quase metade dos protagonistas do desastre de domingo passado (André Pinto, Jefferson, Nani, Raphinha e Bas Dost), para promover a estreia de dois dos reforços de Inverno (Ilori e Borja), mais o regresso à titularidade de Jovane Cabral, Acuña e Phellype, deixando intacto o seu trio do meio-campo.

Lage, por seu lado, foi bastante mais económico, apenas mudando o estritamente necessário, na baliza (Svilar em vez do castigado Vlachodimos) e numa das alas (Salvio no lugar de Rafa), mantendo em todos os sectores as parcerias que tão bem têm resultado nas últimas semanas.

Antes que alguma coisa de relevante acontecesse no jogo, Ilori mostrou logo ao que vinha. Pouco depois dos 60 segundos, uma falta sobre João Félix valeu-lhe um cartão amarelo. Era o central que regressou aos “leões” neste Inverno a mostrar que o Sporting não seria tão mole a defender. Tal como acontecera em Alvalade, tentou pressionar alto nos primeiros minutos, mas aconteceu exactamente o mesmo que acontecera quatro dias antes.

Pressão sem critério abre espaços noutros sítios e logo aos 6’, Salvio encontrou espaço no flanco e deixou a bola em Gabriel, mas o brasileiro errou o alvo. Aos 12’, Seferovic ganhou uma bola no meio-campo e teve espaço para correr até à entrada da área e espaço para rematar, mas a bola desviou em Coates e foi para canto.

O degrau seguinte na evolução do jogo foi o golo do Benfica. Depois de uma arrancada de Salvio, a bola chegou aos pés de Pizzi, que imediatamente a deixou à mercê de Gabriel, e o brasileiro não perdoou, naquele que foi o seu primeiro golo pelos “encarnados”. Em Alvalade o primeiro tinha acontecido aos 11’, na Luz demorou um pouco mais, mas surgiu com a mesma naturalidade. Iria o filme repetir-se? A resposta, como o jogo viria a provar: mais ou menos.

Nos minutos que se seguiram ao golo do Benfica, o Sporting até teve alguns momentos de aproximação à baliza do nem sempre muito seguro Svilar. Mas nem sempre o conseguia, porque a objectividade não era a mãe de todas as decisões. Muitas vezes a bola ia para trás em vez de ir para a frente e quando lá chegava, já não havia possibilidade de superioridade numérica ou, sequer, de igualdade numérica. Mas, pelo menos, mostrava um pouco mais de competência defensiva e isso já era uma evolução positiva

E o Benfica, diga-se, também foi menos assertivo nas suas acções de ataque, mais cauteloso e a arriscar menos. E ainda mais assim ficou quando, perdeu Jardel por lesão aos 37’ e Lage recorreu a Ferro, para o seu lugar, reeditando-se uma dupla forjada no Seixal com Ruben Dias.

Na segunda parte, os “leões” tentaram aproveitar alguma dessa inexperiência. Aos 57’, estiveram mais perto do que nunca do golo do empate. A defesa do Benfica ficou parada e Acuña picou a bola para a entrada de Wendel na pequena área. Svilar não se saiu muito bem ao lance, mas o remate do brasileiro foi ainda pior.

O Benfica continuava a definir os ritmos do jogo e, aos 65’, aproveitou mais um “blackout” colectivo do Sporting para fazer o segundo golo. Toda os “leões” estão fora de posição e Seferovic insiste pelo lado esquerdo. A bola viajou dos pés do suíço até ao lado contrário, Félix conseguiu captá-la antes de sair e o cruzamento que tinha como destino a concretização de Pizzi acabou por ser desviado para a própria baliza por Ilori, que até estava a parecer um “upgrade” em relação a André Pinto.

Keizer foi lançando o que tinha no banco para tentar alguma coisa. Bas Dost e Diaby foram a jogo, isto depois de Wendel ter tido mais uma grande hipótese de reduzir, num remate após amortecimento de cabeça de Phellype – o remate saiu ao lado. Não se pode dizer que os “leões” tenham feito um grande esforço colectivo para chegar ao golo. Na verdade, foi exactamente o contrário.

Aos 81, Bruno Fernandes quase perdeu uma bola no seu meio-campo, mas ganhou-a na raça e avançou para a baliza contrária. Cervi foi com ele e derrubou-o ainda a uns bons 30 metros da baliza. E foi dali mesmo que, no minuto seguinte, o capitão “leonino” disparou para o 2-1, num remate fortíssimo ao qual Svilar se lançou tarde. O golo teve o condão de relançar o Sporting para o jogo e, mais importante, para a discussão da eliminatória.