De Matosinhos ao Seixal — dez anos, doze casos de homicídios na família

A morte de uma criança de dois anos e da avó desta, no Seixal, esta segunda-feira, é o mais recente caso numa série de homicídios cometidos no seio da família, muitas vezes com violência contra crianças e seguidos do suicídio dos presumíveis autores.

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PAULO PIMENTA

São casos que chocaram nos últimos anos. Mulheres e homens que cometeram homicídio de familiares e que, em alguns casos, colocaram também um fim na sua vida. O PÚBLICO revisita alguns, depois de nesta terça-feira uma criança ter sido encontrada morta, dentro de um carro num parque de estacionamento em frente à Escola Básica e Secundária João de Barros, em Corroios, no Seixal. Horas depois, o pai, que é igualmente suspeito do homicídio da sogra, foi localizado sem vida na zona de Castanheira de Pêra.

Fevereiro de 2016
Uma mulher atirou-se ao rio Tejo com as duas filhas, de quatro anos e 18 meses. As meninas morreram, a mulher sobreviveu. O casal estava separado e em litígio: corria um processo de violência doméstica contra o pai das crianças, havendo igualmente um processo de promoção e protecção das meninas. A mãe, acusada de duplo homicídio, foi condenada a 25 anos de prisão. O colectivo de três juízas do Tribunal de Cascais considerou que Sónia Lima “entrou com as filhas no mar com o propósito de lhes tirar a vida”.

Janeiro de 2016
Uma mulher de 55 anos, doente oncológica e desempregada, envenenou o filho de 11 anos e suicidou-se de seguida, na Ponta do Sol, Madeira. Muito doente, enfraquecida pelos tratamentos, com dificuldades de locomoção, a mulher tinha-se separado do pai dos filhos havia quatro anos. O seu último companheiro suicidara-se cerca de um mês antes.

Julho de 2015
Um homem de 55 anos matou a tiro a companheira e o filho de ambos com seis anos, em Ermesinde. Apesar de terem uma relação, o casal não vivia junto. Terão sido as sucessivas recusas da mulher ao pedido para viverem juntos que terão estado na origem do homicídio. A mulher foi abordada junto a casa, quando saia do carro, com o filho ao colo. Foi baleada no pescoço e a criança na cabeça. O menino faleceu dias mais tarde. A mulher teria apresentado queixa na PSP por causas das ameaças de mortes feitas pelo companheiro. O homem acabou por morrer quando estava detido.

Abril de 2015
Um homem matou o filho de seis meses com uma facada no coração. O caso aconteceu em Oeiras e o corpo da criança foi encontrado pela polícia na sua cama. O terá querido vingar-se da ex-companheira, depois de esta ter tido que queria separar-se. Foi condenado a 25 anos de prisão, pena posteriormente revista para 23 anos. Segundo a Relação de Lisboa, "o arguido é portador de um transtorno de personalidade tipo borderline". Tinha histórico de problemas de alcoolismo.

Abril de 2015
Um empresário de 42 anos matou a tiro, num café da Póvoa do Varzim os ex-sogros, a ex-mulher e o enteado. Um dos filhos do casal estava no local mas conseguiu fugir. O homem fugiu, mas acabou por ser detido posteriormente pela polícia. Na origem dos homicídios estariam questões relacionadas com a partilha de bens e havia um processo em tribunal. Havia relatos de ameaças à família da ex-mulher, de que os mataria se não vencesse o processo judicial.

Fevereiro de 2013
Uma professora de 47 anos alojou-se com o filho de 12 anos num hotel de Bragança, atirou-o pela janela e saltou de seguida. O rapaz sofria de autismo. No quarto do hotel foram encontradas pizzas, refrigerantes e restos de embalagens de antidepressivos. Estaria havia algum tempo com uma depressão.

Janeiro de 2013
Uma professora de Educação Visual, de 40 anos, envenenou os dois filhos, de 13 e 12 anos, e a seguir suicidou-se com um saco de plástico na cabeça. Os menores foram encontrados pela polícia no interior de um carro estacionado na mata do Jamor, Oeiras. O cadáver da mãe estava a poucos metros da viatura. Dois dias antes, o tribunal decidira entregar a guarda dos dois menores ao pai, de quem estava divorciada havia cinco anos, e limitar as suas visitas aos filhos. Com uma depressão profunda, já tinha alertado os amigos: nunca entregaria as crianças ao pai.

Dezembro de 2012
Uma mulher de 32 anos aproveitou a ausência momentânea do companheiro para deitar fogo à casa, em Preces, Alenquer. Os dois filhos do casal luso-brasileiro, um com dois anos e outro com 11 meses, morreram asfixiados com o fumo. Em tribunal, disse que vivia com muitas dificuldades económicas, justificou-se com os problemas de relacionamento com o companheiro, que temia poder ficar com a guarda das crianças em caso de separação. A família estava sinalizada desde Julho pelas autoridades, porque as crianças evidenciavam falta de cuidados. Na altura, a Segurança Social explicou que a situação dos menores tinha sido sinalizada à Comissão de Protecção de Crianças de Alenquer pelo centro de saúde e que, como os pais não autorizaram qualquer intervenção, o processo foi remetido para tribunal. A mulher foi condenada, em primeira instância, a 24 anos de prisão.

Agosto de 2012
Uma dentista de nacionalidade de 40 anos provocou um incêndio e explosão na vivenda em que vivia em Castro Marim, no Algarve. Esperou que o marido saísse de casa, regou a cama e os armários com gasolina, fechou o quarto dos filhos à chave e pegou-lhes fogo. Morreu com os dois filhos, de 13 e 11 anos. Tinha avisado alguns amigos mais próximos de que tencionava suicidar-se.

Fevereiro de 2012
Um homem de 59 anos matou a mulher, de 50, a filha, de 30, e a neta, de cinco anos, com uma catana na vivenda onde viviam em Beja. Os corpos terão ficado fechados em casa uma semana antes de terem sido descobertos. Quando viu a PSP aproximar-se, depois de ter recebido queixas de que as vitimas não eram vistas havia algum tempo, barricou-se em casa e disparou contra as autoridades. Vizinhos davam conta de algum consumo excessivos de álcool. Suicidou-se na cadeia.

Maio de 2009
Um gestor de 45 anos matou a filha de sete anos com o cinto do roupão. O crime ocorreu na casa do pai em S. Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos. Quando foi detido tentava afogar-se junto à foz do Douro, em Gaia. O agressor e a mulher estavam separados havia um ano e a criança vivia com a mãe. Mas era frequente a sua presença na casa do pai, que segundo relatos de familiares e amigos gostava muito da filha. Antes de sair de casa, com o objectivo de cometer suicídio, o homem ligou para a PSP a confessar o crime e enviou uma mensagem para a mãe da criança relatando o que tinha feito. Também avisou o INEM.