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Em ano de eleições, votar e lutar

Este é um ano de decisões. Cabe a todos nós decidir o rumo que queremos percorrer. A juventude é chamada, neste momento, a participar massivamente nas eleições, sob pena de ver outros a escolher por nós.

A consideração que se tem estabelecido inerente à aparente inércia da nova geração de jovens deste nosso país suscita-me a mais frontal discordância. Primeiro porque quem o diz fá-lo como sendo algo imutável, como se fosse o fado desta e das próximas gerações: o afastamento sistemático da política e o desinteressar das grandes questões. Em segundo lugar porque tais considerações estão longe de ser verdade e se temos vindo a assistir a alguns sintomas preocupantes é porque não há vontade suficiente para os combater, mais uma vez, porque dá jeito a alguém.

É impossível escamotear o facto de que, ao longo dos últimos anos, foram milhares os jovens que saíram à rua de bandeiras e tarjas empunhadas, a exigir um futuro melhor. Seja no ensino secundário onde muitos percorreram as ruas das vilas e das cidades para exigir obras nas escolas, melhores condições, melhor aquecimento ou mais professores e funcionários, como os alunos do Liceu Camões em Lisboa, sejam os jovens precários nas grandes lutas quem têm vindo a travar para acabar com este regime de escravatura moderna. Não estamos adormecidos, pelo contrário, estamos muito atentos àquilo que nos rodeia, com a perfeita noção de que aquilo que nos apresentam no dia-a-dia não é flor que se cheire. Sabemos que se quisermos um outro futuro temos que lutar por ele.

Este é um ano de decisões. Cabe a todos nós decidir o rumo que queremos percorrer. A juventude é chamada, neste momento, a participar massivamente nas eleições, sob pena de ver outros a escolher por nós. O voto é a arma democrática por excelência, mas quando associado à luta diária que muitos jovens travam é absolutamente inabalável. Não podemos contentar-nos com o simples descarregar de voto e o tradicional virar de costas, queremos muito mais da democracia. Queremos espremê-la até às últimas consequências, pois ela é nossa e podemos usá-la sempre e quando quisermos. Neste ano, vamos usá-la através do voto, mas não podemos ficar por aí. Sempre que algo estiver mal, que seja injusto ou imoral, que nos suscite a revolta de quem percebe onde vive e onde podia chegar, temos a obrigação de, enquanto jovens construtores de um mundo melhor, lutar nas ruas, no nosso trabalho, na nossa escola, pois, enquanto a injustiça prevalecer, não existe democracia.

A sociedade capitalista e desenfreada onde vivemos remete-nos muitas vezes ao trabalho, ao quotidiano, sem espaço para o pensamento. É uma realidade brutal esta onde vivemos: começamos a vida a ganhar o salário mínimo nacional e com sorte acabamos a vida com uma reforma inferior a este. Acordamos com o único propósito de pôr pão na nossa mesa porque ninguém o vai fazer por nós. Trabalhamos oito ou nove horas por dia, continuamente ou por turnos, temos um dia de folga quando tal for cumprido. Trabalhamos aos fins-de-semana, feriados e dias de ocasião, somos mão e cérebro de obra transaccionada de mercado em mercado, não colhendo todos os frutos do nosso trabalho. Trabalhar toda a vida para nunca viver.

É essa a realidade em que nos querem afundar, cheia de confusões e contradições, de problemas e constrangimentos. Este ano vamos continuar a dar a resposta que nos últimos tempos temos feito ecoar pelos megafones deste país, uma resposta firme de rejeição das inevitabilidades, rejeição dos baixos salários e reformas. Um ano onde o voto aliado à luta pode transformar as nossas vidas.

Somos os construtores do futuro, vamos construí-lo pedra a pedra, com a força dos nossos braços.