Primeiro projecto no novo Congresso do Brasil é de "ex-gay" que quer que Bíblia seja património cultural

A proposta é da autoria do Pastor Sargento Isidorio, um militar que disse ter curado a sua homossexualidade com a palavra de Deus. Mas apresenta-se como crítico de Bolsonaro.

Pastor Isidório
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Pastor Isidório DR

O primeiro projecto de lei apresentado no novo Congresso do Brasil pretende tornar a Bíblia em "património nacional, cultural e imaterial do Brasil e da Humanidade".

A nova legislatura arrancou na segunda-feira e o primeiro projecto a dar entrada foi da autoria do deputado Manoel Isidório de Santana Júnior, conhecido como Pastor Sargento Isidório, eleito na Bahia pelo partido Avante. Isidorio é um ex-militar que diz ter curado a sua homossexualidade com "a palavra de Deus".

Nas primeiras horas da legislatura deram entrada na Câmara de Deputados 64 projectos de lei — na legislatura inaugurada em 2015, e no mesmo período de tempo, foram 99 as propostas, diz a imprensa brasileira. 

O deputado evangélico justificou a sua iniciativa explicando que a Bíblia é o livro mais antigo e "mais lido do mundo". "É mais do que apenas um bom livro, é a vontade de Deus escrita para a humanidade. Para os cristãos, nela se encontram, acima de tudo, as respostas para os problemas da humanidade e a base para princípios e normas de moral".

"É correcto dizer e já na autoridade do Espírito Santo que o livro que passo a defender como património imaterial cultural da nação brasileira e da humanidade já é reconhecido por seu vasto poder terapêutico, curador, histórico, libertador, restaurador, revelador e principalmente profético, cuja capacidade de milagres comprovados já ganhou legitimidade da ciência", escreveu o deputado na defesa da sua proposta.

Pastor Isidório, que se definiu como "ex-gay, ex-bandido, ex-drogado", é pastor da Assembleia de Deus e sargento da Polícia Militar. Ao ser eleito, pela Bahia — foi o eleito para o parlamento federal com mais votos do estado — disse que não iria integrar as fileiras da bancada evangélica, conhecida como "bancada da Bíblia", nem as da chamada "bancada da bala", duas poderosas frentes parlamentares que apoiam o Presidente Jair Bolsonaro. O motivo é precisamente este: é um político que se define, como o seu partido, como de ideologia trabalhista e social-democrata cristã, e não quer dar o seu apoio a Bolsonaro. 

Antes das eleições que deram a vitória a Jair Bolsonaro disse: "Existe a possibilidade de ganhar a eleição quem está pregando que polícia que não mata não é polícia, derramamento de sangue e tortura. Estou preocupado. Duvido que os oficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica queiram voltar para a ditadura".