May foi a Belfast reforçar laços antes de voltar a Bruxelas

Primeira-ministra britânica vai reportar o que ouviu na Irlanda do Norte a Bruxelas para tentar reabrir a negociação sobre o backstop. E para comprovar o seu compromisso com os irlandeses até propôs organizar em conjunto o Mundial de futebol em 2030.

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Reuters/POOL

A primeira-ministra britânica, Theresa May, chegou nesta terça-feira a Belfast para garantir que não vai haver uma fronteira física na ilha da Irlanda e, para comprovar o seu compromisso, propôs uma candidatura conjunta entre o Reino Unido e a Irlanda para organizar o Mundial de futebol de 2030.

May já mostrou disposição para renegociar o backstop, a solução encontrada entre a União Europeia e Londres para evitar uma fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda depois do "Brexit". No entanto, Bruxelas garantiu que não quer voltar a falar do tema.

Na capital da Irlanda do Norte, onde fica até quarta-feira, May deixou três garantias: não vai haver fronteira física entre as duas partes da Irlanda; não vai existir uma fronteira comercial entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido; os mecanismos de cooperação entre o Reino Unido e a Irlanda são para continuar; os princípios do Acordo de Sexta-feira Santa, que pôs fim a décadas de violência sectária na Irlanda, serão respeitados.

“Vamos encontrar um caminho para consumar o ‘Brexit’ de forma a respeitar os nossos compromissos com a Irlanda do Norte”, afirmou em conferência de imprensa.

E, explicou, como o Partido Unionista Democrático é o único representado no Parlamento britânico, nesta quarta-feira vai reunir-se “como todos os partidos da Irlanda do Norte” para discutir o “Brexit”.

Apesar de ter expressado a vontade de renegociar o backstop em Bruxelas, tendo alterado a sua posição inicial sobre esta questão, May esclareceu que não quer retirá-lo de um eventual novo acordo mas sim “alterá-lo”.

A primeira-ministra usou o seu discurso para demonstrar a importância da relação entre Reino Unido e Irlanda, afirmando que esta “é mais profunda do que a relação com qualquer outro dos 27 Estados-membros da UE”. E, para o reforçar, defendeu uma candidatura conjunta entre ambos para a organização do Mundial de futebol de 2030, sendo esta, no entanto, uma decisão dependente do parecer das respectivas federações de futebol.

O backstop foi o centro de todas as discórdias no Parlamento britânico e foi um dos principais factores que levou ao histórico chumbo do acordo que o Governo de Londres alcançou com o Bruxelas sobre os termos da saída do Reino Unido da UE.

Por isso, e para convencer os responsáveis europeus a reabrir este dossiê, May vai ouvir os norte-irlandeses antes de regressar a Bruxelas, na quinta-feira.

A primeira-ministra vai encontrar-se com o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude-Juncker. E lá, segundo avançam os media britânicos, vai dizer que Bruxelas precisa de aceitar alterações ao backstop ou enfrentará a possibilidade de um “Brexit” sem acordo.

“A posição da UE é clara”, disse o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, citado pela Reuters. “Estamos outra vez à espera para ouvir o que a primeira-ministra tem para nos dizer”.

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