MoMA fecha para reorganizar colecção e abrir com mais mulheres, minorias e outras geografias

Museu de Nova Iorque fecha para obras durante quatro meses. Colecção moderna deixa de ser organizada por suportes.

Foto
Untitled, impressão em gelatina de prata, c. 1955, de Shigeru Onishi DR

Com um projecto do atelier Diller Scofidio + Renfro, o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, vai estar fechado durante quatro meses para reorganizar a sua colecção e mostrar mais mulheres e minorias étnicas, noticiou o jornal New York Times. São mais 12 mil metros quadrados para repensar a forma como a história da arte moderna e contemporânea é contada, dando início à fase final de uma reconversão orçada em 400 milhões de dólares.

“Uma nova geração de curadores está a descobrir a riqueza do que está na nossa colecção. Há óptimo trabalho a ser feito em todo o mundo e nós temos que dar atenção a isso”, disse Glenn D. Lowry, director do museu, citado pelo jornal norte-americano.

O museu vai fechar de 15 de Junho a 21 de Outubro para reabrir já sem a clássica organização por disciplinas que usa há oito décadas. Mantém-se o fio cronológico, mas haverá uma mistura entre pintura, escultura, arquitectura, design, fotografia, performance, filme e trabalhos sobre papel.

Tal como já faz a Tate Modern, o MoMA também vai rodar as peças exibidas duas vezes por ano, reconhecendo que muito do que está nas suas reservas tem sido ignorado. O MoMA, que deverá anunciar esta terça-feira as mudanças, promete ter os seus famosos Picassos, como Les Demoiselles d’Avignon, sempre em exposição, mas ao seu lado aparecerão nomes menos valorizados como o fotógrafo experimental japonês Shigeru Onishi ou o pintor francês de origem haitiana Hervé Télémaque, numa tentativa de expandir as geografias mesmo para lá das minorias internas dos EUA, dos latinos aos afro-americanos.

O museu vai reabrir com uma exposição dedicada à arte latino-americana, juntamente com duas mostras de artistas afro-americanos, Pope.L, conhecido pelas suas performances, e Bettye Saar, com um trabalho de décadas à volta das assemblages.

“Não queremos perder as nossas raízes em termos de ter a melhor colecção modernista”, disse o presidente do museu, Leon Black, “mas o museu não deu a ênfase necessária a artistas mulheres, não sublinhou o que os artistas minoritários estavam a fazer e estava limitado na sua geografia”.  

O MoMA, que se vai expandir para o espaço do demolido American Folk Art Museum e para parte de um aranha-céus desenhado por Jean Novel, sofreu obras profundas em 2004 numa ampliação assinada pelo arquitecto japonês Yoshio Taniguchi.